quarta-feira, 30 de janeiro de 2008

31 de janeiro de 2008 – 05:31

São 5 e meia da manhã e eu acabei de terminar o livro 1933 foi um ano ruim de John Fante. Eu comecei a lê-lo essa noite mesmo e terminei sem parar. E é lindo. É muito mais que lindo. É sublime, fantástico e apaixonante. Não me fez chorar como no outro livro sobre sua infância (espere a primavera, bandini) mas não é menos lindo por isso. Pelo contrário, talvez seja mais lindo, não tenho como comparar livros de John Fante entre si e não quero fazer isso agora e talvez não queria fazer isso nunca. A única coisa que sei nesse momento é que esse livro é muito belo e eu jamais imaginei que alguém pudesse descrever uma relação entre pai e filho assim.
Eu não vou falar sobre a história do livro aqui. Eu não estou fazendo uma sinopse ou coisa parecida. Eu só estou escrevendo agora porque eu preciso desabafar de como esse livro é maravilhoso. Eu não ando triste e isso já é muito bom. Também não tenho estado feliz, e acho que por isso que ler esse livro mexeu tanto comigo assim. Poderia mexer de diversas formas em qualquer momento que eu lesse, mas eu li agora e mexeu assim. Se tivesse lido tempos atrás eu provavelmente estaria chorando bastante ao terminar, mas não estou. Não estou triste pelo final do livro, mas estou seriamente tocado com mais uma de suas histórias. Talvez não seja só a história, é muito boa obviamente, mas historias assim acontecem todos os dias e morrem sem ninguém ter jamais ouvido sobre elas. Mas John Fante é John Fante e ele sabe como contar histórias.
Eu pude sentir cada momento de sua história. Eu pude sentir cada sentimento que ele sentiu nos momentos descritos ali. Eu pude me ver e me enxergar exatamente como Dominic Molise. Esse é mais um fato curioso. Eu estava acostumado com Arturo Bandini, e Dominic Molise é de certa forma Arturo Bandini com outro nome, mas é tão belo que os nomes não me importam agora. Eu os amo como nunca amei ninguém dessa forma. Eu os amo de uma forma em que posso senti-los vivendo dentro de mim. Eu os amo como se eu fosse os próprios Dominic Molise e Arturo Bandini. Eu os amo como se eu fosse o próprio John Fante. Eu os amo como o Gabriel Daher que sou. Eu os amo.

terça-feira, 29 de janeiro de 2008

29 de janeiro de 2008 - 15:33

Nunca se sabe como vai ser o dia seguinte de uma bebedeira.

Nunca sei como vai ser o dia seguinte de uma bebedeira.

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

24 de janeiro de 2008 – 01:27

Eu era só mais um bêbado no meio de um monte de outros bêbados jogados pelo canto daquele imundo bar e do mundo inteiro. Mas eu era um bêbado diferente. Eu era um escritor e achava que tinha algum talento, por mais difícil que fosse publicar qualquer coisa ou ser conhecido em qualquer lugar pra mim eu tinha talento, e era isso que importava. As idéias matutavam na minha cabeça e geravam deprimentes contos digitados enfurecidamente em dias de sol escaldante e forte ressaca. *Eu queria ser um escritor e estava indo atrás do meu sonho nos buracos mais fundos e nos becos mais escuros.

* Adicionado posteriormente, no dia 31/01/08.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

21 de Janeiro de 2008 – 20:31

A coisa que mais me irrita nessa cidade é encontrar os mesmos infelizes em qualquer lugar que eu vou. É uma merda. Vou até a padaria e vejo aqueles cretinos que estudaram comigo tempos atrás, cretinos conhecidos meus, cretinos amigos de amigos e todos os tipos de cretinos possíveis. É uma merda ver esses rostos conhecidos. Pra piorar as pouquíssimas boas pessoas quase nunca aparecem por acaso.
A pior coisa é ir até o shopping, o que já é uma merda de programa por si só, e pra piorar ainda mais a situação encontrar uma cacetada de malditos que te conhecem e que você conhece e a maioria te olha de cima a baixo e te examina tentando achar algum defeito pra criticar ou alguma coisa pra botar defeito e criticar também. Bando de cretinos, morram todos.