terça-feira, 29 de maio de 2007

29 de maio de 2007 – 23:52

Entrei no banheiro e liguei o chuveiro para tomar banho e ir para o supletivo. O maior problema de casa era esse chuveiro. Saia pouca água e não esquentava direito, então tinha que abrir só um pouco e agüentar tomar banho num dia frio. Era horrível pra mim porque sempre gostei de tomar banho quente. Muito quente, em qualquer estação.
Me vesti e coloquei apenas uma camiseta e meu agasalho preto de gorro com estampa do CBGB por cima. Estava um pouco frio, mas não aparentava que fosse esfriar mais.
Me preparei para pegar o ônibus, então minha mãe ligou e disse que poderia me dar uma carona. Logo depois ela chegou e depois de passar pegar meu irmão me deixou no supletivo. “Não vai gastar os dois reais que sobraram em”. Me falou.
Ainda eram umas 6:30 e só tinham chego uns três alunos. Geralmente os outros chegavam em cima da hora, ou depois de a aula já ter começado. Eu tinha que esperar.
Sentei no mesmo lugar de sempre e um tempo depois chegou um cara que sempre sentava na diagonal atrás de mim. Era tudo sempre igual. Abri meu livro, “Numa Fria” do Bukowski que tinha emprestado do Hermano e li um dos contos. Levantei e dei umas voltas fora da sala. Pensei em comprar uma coca-cola e depois desisti. Então pensei de novo e decidi comprar. Mas me arrependi pelos R$ 1,70 gastos. Estava quente, mesmo com o frio eu fazia questão de coca-cola gelada. Voltei pra sala para ler o livro e matei quase tudo num gole só.
Depois de um tempo os alunos foram chegando e a aula começou. E depois com a aula em andamento a sala ficou cheia. Olhei pra trás e ela tinha chegado e sentada no mesmo lugar de sempre. Linda e maravilhosa, Camila era realmente demais.
A aula passou. Era geografia, o professor era gente boa. Era jovem e vestia roupas arrojadas, usava óculos de armações discretas e uma barba um pouco crescida. A matéria até que era tranqüila. Mas eu não estava com o mínimo saco pra prestar atenção. Então fiquei conversando com um colega meio chato que às vezes sentava ao meu lado para ficar falando sobre sua banda, sobre as coisas que fazia no final de semana, sobre um amigo que tínhamos em comum e me convidando para sair no final de semana. Eu só concordava e fazia alguns poucos comentários monossilábicos tentando não ser cuzão. Mas ele pelo jeito me achava simpático porque a muito essa cena se repetia. Eu também não o achava tão chato, mas falava sempre sobre as mesmas coisas e da mesma forma.
O intervalo chegou e saímos para a frente do colégio. Fiquei conversando com o Rodolfo, um velho conhecido meu que assistia à aula com seus óculos de aros pequenos e usava uma jaqueta amarela por cima das muitas outras blusas. Era um cara gente boa. O frio lá fora estava forte e eu o sentia passando entre meu único casaco e depois entre a camiseta.
Camila chegou depois cobrindo o rosto. Perguntei porque ela estava com as mãos no rosto, se era pelo frio e ela disse que não. Tirou e disse que estava se sentindo horrível e contou uma história, que tinha usado um creme pra espinhas e ele tinha ressecado sua pele e ficado horrível e ela tinha ido ao dermatologista e ele tinha dito que a pele dela era sensível e outras coisas do tipo. Depois de ela falar deu pra perceber que estava um pouco ressecado, mas nada que mudasse sua aparência perfeita. Ela era linda e espontânea, tratava todo mundo bem e tinha um dos sorrisos mais doces que eu já tinha visto. Logo depois chegou o Lucas, que era totalmente careca e meio louco e boa gente. Falava uma coisa e de uma hora para outra trocava o assunto, então voltava para o assunto de antes e ficava nesse zigue-zague. Também achava que em todo lugar tinha paquera e que todas as garotas estariam dando mole para alguém em todos os momentos. Era visivelmente tentado pela Camila, e uma hora onde ela foi ao banheiro perguntou pra mim e Rodolfo: – “Pra quem de vocês dois ela ta dando mole?” Só demos risada e ela voltou, e o assunto acabou.
Todos os dias no supletivo uma cola passava entre a sala inteira. Não sei como nem quem conseguia as questões e as letras referentes corretas e passava, e em quase todas as vezes dava certo. Normalmente eu não precisava daquilo, eram matérias fáceis. Mas como não tinha prestado atenção na aula e não estava sabendo nada escrevi na palma da mão.
Ficamos mais um tempo fora e depois entramos. Mais uns dez minutos de aula e ele pediu para que formássemos as filas. Depois de tudo organizado deu mais umas dicas e distribuiu as provas. Fui lendo e colocando as respostas da cola. Lia para ver minha opinião e a questão primeiro e depois se a cola batia com a alternativa. E em todas as questões batia.
Então terminei e esperei um pouco. Não gostava de ser o primeiro a entregar a prova. Não demorou muito e dois caras entregaram. Levantei, entreguei, cumprimentei o professor e saí.
Eram umas 9:20.Liguei pra minha mãe e pedi pra ela me buscar, ela disse que ia demorar uns vinte minutos. Fiquei conversando com os alunos na frente. Depois entrei e fiquei lendo. Liguei pra ela de novo vinte minutos depois e disse que já estava indo.
Fiquei esperando na frente. Quase todo mundo já tinha ido embora. O frio estava de rachar.
Passou mais uma meia hora e todos foram embora. O porteiro fechou a escola e o dono perguntou se minha mãe já estava chegando. Disse pra não se preocupar, ele deu boa noite e foi embora. Liguei de novo para minha mãe e nos xingamos. “Desliga essa porra que eu já to indo Gabriel” ela disse. “Vem logo caralho” respondi.
Ainda estavam em frente a escola uma garota loira, nem feia nem bonita com uma moto estilo Jog. Depois que só ficamos eu e ela chegou um carro do tipo caminhonete, uma Pampa com seus conhecidos, familiares ou algo do tipo. Desceram e ajudaram-na a colocar a moto na garupa da caminhonete. Depois de uns dez ou quinze minutos tentando firmar a moto lá em cima conseguiram e foram embora.
Fiquei sentado em frente a escola fechada lendo o Buk. O frio parecia aumentar e era estranho virar as páginas com as pontas dos dedos geladas. Passaram dois moleques conversando, um deles dizia em voz alta que ia ser promovido no emprego da academia e ia sair com tal garota, o outro falava mais baixo, concordava e perguntava sobre os fatos.
Uma hora depois de eu ter ligado a primeira vez minha mãe chegou. Nos entreolhamos de caras feias e entramos no carro. Eu reclamei sobre a demora depois ela reclamou e disse não ter obrigação de me buscar. Coloquei o cd do Jesse Malin no rádio e passamos o resto do trajeto calados. Em casa já estava tudo bem. Meu irmão dormia no sofá, ela cozinhou arroz, fritou um ovo e cortou e temperou uma salada de tomates. Eu fritei os filés de frango e comemos tomando coca-cola que ela tinha comprado. Dessa vez estava gelada.

domingo, 27 de maio de 2007

28 de maio de 2007 - 02:38

Wander Wildner - Ganas De Vivir
Letra E Música De Juan Suarez


Caminando por la vida voy, caminando por la vida voy

Pensando em um amor, em busca desse amor
Com la ilusion de ver mi vida florecer

El sol brilha em mi arredredor, ilumina em mi el corazón
Que vá brotando em mi, por ancias de vivir
Gritando que el mundo estoy a viver-lo

Sem problemas no meu coração
muitas vezes não temos razão
A vida muda uma vez mais
porque o destino é tão cruel e sempre temos que aprender,
tristeza pranto e saudade
Porque assim, porque sofrer,
se só o que eu quero é triunfar


Eu não preciso dizer nada, e nem quero.
Deixa que a música fala por mim.
Tenho um monte de coisas para escrever e falar,
mas nenhuma vontade.
A preguiça me consome;
quem sabe amanhã eu não escreva alguma coisa.
Bem que eu to precisando escrever pra valer,
de preferencia tomando vinho...

I'll be alright.

terça-feira, 22 de maio de 2007

22 de maio de 2007 - 32:14

Minha mãe entrou no meu quarto agora a pouco enquanto eu ouvia “Broken Radio” do Jesse Malin e comentou que era uma música bonita. Isso foi demais.

domingo, 20 de maio de 2007

21 de maio de 2007 - 1:43

Há quase uma semana tinha combinado que eu e o Hermano iríamos com meu pai para Maringá, onde mora minha madrasta e onde meu amigo Luy esta morando desde o começo do ano, de modo que ficaríamos na casa dele e no sábado iríamos ao show dos Droogies para encontrar os amigos de Londrina Felipe e Thaty no bar do rock maringaense.
A sexta chegou e meu pai ligou e disse que iríamos só no sábado. Então ligou novamente e disse que iríamos na sexta mesmo. Avisei o Hermano e ele disse que não ia poder ir porque tinha consulta no otorrinolaringologista as 3 horas da tarde e coincidiria com o horário da viajem. Mas então meu pai decidiu que iríamos mais tarde, por volta das 6 horas e então quando eram 4 liguei para ele na casa de seu avô e pedi para que fosse até sua própria casa de ônibus, pegasse suas roupas que passaríamos lá para apanhá-lo. Ele disse estar com preguiça e decidiu não ir, o que me deixou bastante irritado pois eu teria chamado o Felipe Melhado antes se soubesse que o Hermano ia desistir na última hora. Então me despedi dele rapidamente e fiquei realmente decepcionado. De modo que fomos apenas eu e meu pai no carro.
Avisei o Luy que chegaria em Maringá por volta das 8 horas da noite. Saímos de Londrina por volta das 6:40 e antes de seguir a viajem passamos em um posto na saída da cidade para abastecer e para mim comprar chips e refrigerantes na loja de conveniência. Esta tinha uma porta de segurança onde você tinha que abrir a primeira, entrar e ficar “preso” no pequeno espaço entre esta e uma segunda porta que servia como um detector de metais, e então você abria a outra porta e entrava na loja de conveniência. Para a maioria das pessoas não deveria ser nada alem de mais uma boa maneira de evitar assaltos mas para mim não. A claustrofobia me apavorava em qualquer situação de pequenos lugares. Mas foi algo rápido e logo eu já havia entrado, comprado as coisas e saído enquanto meu pai pagava o salgadinho de batata com sabor de peito de peru e a coca-cola de 600 ml gelada e conversava com a moça loira do caixa que dizia sermos muito parecidos e que sua filha mais velha também parecia com ela e coisas do tipo.
Entramos no carro e seguimos a viajem sem maiores problemas. Chegamos na cidade e seguimos até o local indicado aonde Luy me encontraria. Era um bar na esquina de uma avenida com algumas mesas do lado de fora e um salão médio dentro. Pedimos cervejas e tomamos esperando ele chegar. Uns quinze minutos depois de ter ligado para avisar onde estávamos ele chegou com as calças jeans justas, vestindo uma jaqueta de couro contra o friozinho que fazia na cidade e com um cigarro na mão direita como de praxe. Tomamos mais uma cerveja, então me despedi de meu pai e seguimos para sua casa.
No caminho paramos em uma padaria que também funcionava como uma espécie de mercearia e compramos um vinho tinto suave barato de cinco reais que ele pagou e bebemos no caminho.
Algumas quadras alem numa minúscula rua de terra que cruzava a avenida principal ficava sua kitnet. Um local pequeno que de frente parecia ser uma casa grande de dois andares mas que se estendia com aproximadamente oito kitnets que já vinham equipadas com ar condicionado.
Imaginava a casa de Luy um lugar bagunçado, sujo e com garrafas de bebidas, discos, papeis e fotos colados nas paredes com textos e músicas escritas por ele mesmo e fotos velhas pelas paredes como em seu antigo quarto no apartamento que dividia com sua irmã em Londrina a um tempo atrás. Mas me enganei, por sorte. Morando sozinho ele havia criado responsabilidades do lar e a kitnet era organizada e aconchegante. Na entrada o armário fazia um tipo de divisória e nas costas desse que dava de frente para a porta suas fotos estavam coladas e organizadas e um pôster dos Ramones que meu amigo Caio tinha igual, e era basicamente uma foto do Joey com uma calça jeans preta rasgada com a mão esquerda como sempre no microfone e os óculos vermelhos no rosto. Nas paredes os mesmos textos e músicas colados, logo ao lado da entrada a pequena cozinha, uma bancada com um liquidificador sem jarra (que estava na geladeira) e do lado esquerdo da bancada um suporte onde ele guardava organizadas as garrafas de bebidas. Ao lado direito da bancada ficava o fogão e do lado direito deste a pia seguido pela geladeira. A mesa do computador em frente ao armário e do lado desta o beliche onde ele dormia embaixo e guardava bagunças em cima. Em frente do beliche ficava a porta do banheiro e em diagonal a essa do lado direito da cama a porta da varanda que dava de frente para a ruazinha de terra com pequenos casebres de madeira na frente.
Conversamos um pouco e então fizemos a janta. Ele fez o arroz e eu descasquei a calabresa. Tirou da geladeira os bifes já temperados e fritou estes e depois a calabresa. Deixou o arroz cozinhar mais um pouco enquanto eu fazia uma mistura de pinga velho barreiro com suco de morango no liquidificador para mantermos o grau alcoólico enquanto jantássemos. Comemos e bebemos o drink gelado com cubos de gelo nos copos e que ficou uma delicia. Depois de terminar a janta já eram perto das nove horas. Fui tomar banho e levei o copo com bebida para o chuveiro. Tomei banho enquanto bebia e já me sentia consideravelmente bêbado e alegre. Luy não quis tomar banho, então trocamos de roupa e partimos em caminhada para a casa de uns amigos seus que ficava a uma boa distância dali, coisa que só descobri depois quando já estávamos nos matando de andar. Quase uma hora de caminhada intensa depois chegamos na casa dos caras, que ficava em um dos muitos prédios numa pequena rua em frente a UEM (universidade estadual de Maringá) e que por isso era praticamente abrigado apenas por estudantes. Na casa moravam cinco amigos dele que também haviam vindo do Mato Grosso do Sul e faziam faculdade em Maringá. Um deles havia estudado em Londrina no mesmo colégio de eu e me confundiu com o Bernardo, um amigo que tem algumas semelhanças comigo e que mora em Florianópolis ou Camburiu hoje em dia. Depois ele reconheceu que não era ele mas disse se lembrar de mim também. Não conhecia ele mas depois pensei e lembrei também não me ser estranho. Estavam com fumo e nos chamaram pra curtir. Subimos e eu fumei com eles, Luy não curtia e ficou apenas sentado esperando e olhando.
Ficamos um pouco com eles e descemos para comprar vinho num dos bares que ficavam ali perto e lotavam de estudantes. Descemos até lá e resolvemos tomar algumas cervejas. Um homem veio nos cumprimentar e dizer que eu era a cara dos caras dos Ramones e coisas do tipo que ouvi várias vezes em Maringá, o que posso confessar me deixou orgulhoso e feliz porque sou realmente muito fã deles.
Tomamos algumas cervejas e compramos duas garrafas de vinho barato. De modo que eu tive que pagar a maioria porque o Luy estava com pouco dinheiro e então seguimos novamente até a casa deles.
Eles estavam fumando de novo então sentei e aproveitei com eles. Começamos a jogar presidente no baralho e eu não sabia jogar e eles tiveram que me ensinar na hora mesmo, mas mesmo sem não saber praticamente nada e provavelmente por sorte tive um bom desempenho e nas duas partidas que jogamos fui vice-presidente e o segundo melhor.
Logo depois Luy caiu de sono e dormiu com as cartas na mão. A maioria deles teria que acordar cedo no outro dia e já era alem da duas da manhã, havíamos matado uma garrafa de vinho e senti meu estomago virando provavelmente pela mistura de bebidas e a bile subindo pela minha garganta como se ela tivesse sido virada pelo avesso. Fui até a cozinha e tomei litros e litros de água mas não resolveu, o enjôo e gosto horrível continuava lá. Tentei ver se açúcar ajudaria. Abri o pote, peguei uma quantidade grande com a mão e enfiei de uma vez na boca. Amarrou mais ainda minha garganta e fez meu estomago dar pulos de mal-estar, pois não era açúcar e sim sal e fiquei com o terrível salgado na boca de modo que tive que tomar mais litros de água e desistir da idéia.
Um dos caras que moravam lá havia ido dormir na casa de sua namorada que por coincidência ficava no prédio da frente, então pude dormir no colchão dele e como odeio dormir de calça jeans fiquei apenas de cueca e me cobri com o cobertor. Acordei no outro dia as onze da manhã me sentindo péssimo. Na casa estávamos só Luy eu e Deni, o cara onde eu havia dormido no colchão e era bem gente boa.
Luy se lembrou de que havia deixado uma carne descongelando para fora da geladeira e ela poderia estar estragada, então nos despedimos e saímos para salvar a carne e o almoço. Ainda tinha restado três reais do meu dinheiro e Deni nos emprestou mais um real que usaríamos para pegar ônibus. No caminho desistimos e resolvemos ir a pé mesmo, paramos em uma feira que já estava desmontada e a única barraca ainda funcionando e com bastante movimento era a dos pastéis. Comemos pastéis de pizza com o dinheiro do ônibus e conversamos com duas moças que trabalhavam ali na mesma barraca e que haviam terminado seu turno.
Caminhamos de volta para sua casa e fizemos o almoço. O mesmo cardápio da janta do dia anterior mas dessa vez com suco sem pinga e com água, que marcou meus as pontas de meus dedos com seus corantes e composições químicas enquanto eu fazia na jarra de liquidificador. Almoçamos e ele colocou dvds e vídeos dos simpsons que tinha para eu ver. Assistimos o dvd inteiro,ele colocou a fita e logo depois caiu de sono. Eu estava exausto e cansado mas não conseguia pegar no sono. Ligava o ar-condicionado, desligada, virava para um lado, virava para o outro e nada de dormir. Desliguei as luzes, fechei as janelas, desliguei a televisão e continuei tentando. Sempre tive esse problema para pegar no sono. Podia estar com muito sono mas não conseguia dormir. Depois de muito tempo quando conseguia dormia como uma pedra, mas até lá era um sacrifício. Exceto quando eu estava bêbado. Então depois de muito tempo dormi, quando já eram pouco mais de quatro horas e acordei as 7 simultaneamente com Luy na cama de baixo. Levantamos e fizemos o jantar. Comemos e depois tomamos banho. Saímos para a casa dos caras mas dessa vez de ônibus. Dentro do ônibus três moleques tentando ser bem vestidos começaram a olhar para nós e rir. Ignorei e continuei conversando com Luy mas ele se irritou e começou a ameaçar os caras em voz alta. A coisa continuou e eu tentava conter o Luy pra não arranjar brigas. Um homem entrou no ônibus, sentou atrás dele e começou a puxar-papo. E foi graças a esse homem que evitamos de se envolver em uma briga pois o palhaço da frente que estava com os dois amigos continuou provocando mas eu não dei atenção. Luy estava virando para trás conversando com o homem e se tivesse visto mais algo do que os otários estavam falando iria retrucar e seriamos obrigados a brigar e sair com a alma honrada.
Mas por sorte não aconteceu mais nada alem disso. Fora que quando chegamos ao terminal e descemos eles olharam e Luy olhou de volta, ignorei e saímos andando a pé até o apartamento dos caras que era ali perto. Chegamos e eles estavam assistindo o dvd “end of the century” dos Ramones que eu já havia visto tempos atrás, mas que era realmente demais. Jogamos algumas partidas de baralho e dessa vez consegui ganhar e ser o presidente. Chegou a hora marcada para o show dos Droogies e eu e Luy saímos caminhando pelas ruas de Maringá no caminho para o bar do rock de lá que era no mesmo sentido de sua casa. No caminho nos perdemos na altura do colégio marista. Um homem negro, alto, careca e bem vestido passava e decidimos pedir informação para ele. Perguntamos onde ficava a avenida do bar. Ele parou para respirar antes de falar e quando falou tivemos que nos segurar para não cair na gargalhada. Apesar das aparências tinha uma voz extremamente fanha, passou as informações certas e eu tive que sair de perto para não rir na frente dele. Depois nos questionamos se seria brincadeira da parte dele ou se ele realmente falava daquele jeito, dúvida essa que persistiu mas que continuamos rindo de qualquer forma já quando estávamos longe dele, claro.
Chegamos ao show e algumas pessoas esperavam na frente. Descobri na hora que o Rock Rocket, banda de São Paulo que já vinha fazendo sucesso a algum tempo ia tocar também. E por isso o preço elevado, eram 10 reais antecipados e 15 na hora, mas conversei com o cara que estava cuidando da portaria, expliquei que era de Londrina e amigo dos Droogies e ele fez por 12 para mim e para o Luy, ele só tinha nove reais e tive que cobrir o restante e uma cerveja que tomamos num bar da esquina antes de entrar e as cervejas lá dentro também, de modo que torrei todos os meus trinta reais para a noite.
Passamos o show conversando com a Thaty e o Felipe. No show dos Droogies o Felipe dedicou uma música pra mim e me disse ter ficado muito feliz por eu ter ido lá para ver a banda deles sem saber que teria rock rocket, até porque eu não gosta muito mesmo e foi algo legal.
Eu estava usando uma camiseta de manga longa com listras vermelha e branca que o Luy havia me emprestado e estava realmente Ramones, combinado com o cabelo e tudo mais, de modo que não demorou muito e várias pessoas vinham falar comigo, me comprimentar e dizer que eu parecia com os caras, enquanto outros só cochichavam e comentavam enquanto eu passava. Era um sinal de orgulho parecer com seus ídolos.
O show lotou rapidamente e havia um japonês grande e mal encarado que trombava em quem fosse possível. Trombou comigo umas duas vezes e estava na cara que queria arrumar briga. Maldito filho da puta, fiquei na minha e continuei curtindo, depois vi ele trombando com outro cara e esse voltou e deu um chute nele. Era um maldito japonês folgado e estava cheio dos amigos, todos uns bastardos também, um deles inclusive havia vomitado no balcão do bar e ficado escorado com a testa la. Bando de babacas, eles estão presentes em todos os lugares. Não adianta fugir deles, sempre vai haver um idiota querendo brigar ou estragar as noites dos outros. Melhor a fazer é ignorar. Japonês filho da puta.
O show continuou sem maiores problemas. Gastei todo o dinheiro em cerveja e ficamos um tempo no camarim das bandas com os Droogies. Depois teve o show do Rock Rocket e antes disso o Renato havia me ligado e pedido para mandar um abraço para um dos caras que era seu amigo. Eu não fazia idéia de quem era e falei para um deles que respondeu mal-humorado que não era o tal “Pesk” e apontou para o cara atrás dele. Devia estar estranhando por eu não reconhecer ele ou simplesmente de mal-humor, detestei-o de primeira até porque achava a banda consideravelmente ruim e haviam feito uma música baseada no conto “a mulher mais linda da cidade” do Buk e transformado em uma música horrível de ruim. Isso me deixava puto. Mas o tal Pesk era um cara legal, agradeceu por eu ter dado o recado e foi um cara realmente simpático e amigável. Depois no palco também pareceu ter mais presença e ser mais cativo. A galera vibrava com as músicas da banda sensação e eu só consegui curtir quando tocaram “caught with the meat in your mouth” dos Dead Boys.
O show acabou lá pelas 5 e tantas da manhã e ficamos conversando com a Thaty e o Felipe e bebendo. As 6 horas da manhã resolvemos ir embora, nos despedimos dos amigos e caminhamos a pequena distancia até sua casa que ficava ali perto sob a claridade do ínicio do dia que começava a pouco. Luy disse estar com muita fome, então chegando lá cozinhou mais um pouco de comida. Comemos e fomos dormir exaustos. Acordei no domingo ao meio dia com meu pai ligando no celular do Luy e me chamando pra almoçar. Disse que iria me deixar dormir mais algumas horas mas com o sono interrompido não consegui mais dormir. Ficamos assistindo televisão. Tomei banho e arrumei minhas coisas porque voltaria para Londrina logo após o almoço. Na noite anterior o Luy havia me dito que daria a camiseta listrada de presente para mim porque todo mundo havia elogiado e ele disse que ela ficava melhor em mim e me deu. Eu achei que fosse papo de bêbado mas enquanto fazia a mala ele me disse para não esquecer a camiseta e eu fiquei realmente feliz porque é uma camiseta realmente legal e havia ficado ótima em mim. Agradeci a ele e meu pai ligou dizendo que estava na avenida principal me esperando. Escovei os dentes e saímos. Encontramos meu pai e ele deu uma carona para Luy até perto da casa dos caras novamente. Nos despedimos e ele disse que sempre que viesse a Maringá era pra ficar na casa dele novamente, eu disse o mesmo e que minha casa estaria de portas abertas em Londrina.
Fui com meu pai até a casa dos pais da melhor amiga de minha madrasta. Almocei enquanto eles comiam sobremesa e a senhora deu várias mudas de vegetais e temperos para meu pai plantar na pequena horta que mantém em casa como passatempo e Deus sabe lá o que.
Nos despedimos e passamos antes num shopping para tentar achar um all-star que eu queria, o que foi em vão e sem sucesso. Voltamos para o carro e seguimos de volta para Londrina. Voltei cochilando no caminho.
De noite meu pai pediu pizza e devorei uns quatro pedaços da minha comida favorita. Fiquei em frente ao computador e ouvi música.
São três e meia da madrugada. Agora vou ler um pouco de “viajante solitário” do Jack Kerouac e dormir.

quarta-feira, 16 de maio de 2007

16 de maio de 2007 - 23:50

Saí da casa do meu pai as quatro da tarde pra pegar o ônibus e ir para a aula de gaita. No ponto sentei no banco de concetro e abri meu livro, "viajante solitário" de Jack Kerouac. Comecei a ler e simultaneamente uma mulher que também esperava o ônibus começou a conversar com sua amiga em uma voz alta e irritante, de modo que eu tinha que ler cada linha de novo porque quando ela falava algo eu me perdia em meio ao livro. Então desisti de ler até que o ônibus chegasse. Chegou, subi e passei o trajeto lendo. Chegou até o ponto do shopping. Desci e fiquei assistindo a pequena televisão que passava os melhores momentos do primeiro tempo da final da copa da uefa de futebol da europa. O ônibus que ia para o centro chegou e as pessoas se amontoaram em volta das portas no cerco que leva a disputa por um lugar sentado, enquanto o ônibus chegava com pessoas querendo descer que mal pisavam fora do ônibus já eram quase atropeladas pela pequena guerra que se formava na disputa de lugares.
Participei da disputa, entrei e consegui um lugar sentado. Abri o livro e permaneci lendo até chegar no ponto próximo a escola de música. Caminhei e sentei esperando o horário e assistindo ao segundo tempo do jogo da final da copa uefa entre espanyol e sevilla que empatavam em 1 a 1 e se permanecesse o resultado iria para a prorrogação. Chegou o horário da aula de gaita, entrei e passei os 50 minutos seguindo tocando e aprendendo com o simpatico professor de cabelos enrolados na altura do queixo e cavanhaque. A aula acabou e a prorrogação do jogo continuava. Agora o Sevilla ganhava por 2 a 1. Sentei e assisti e logo no minuto seguinte o Espanyol empatou num golaço de fora da área. Se permanecesse esse resultado iria para os penaltis. Ainda eram 6:10 e eu só teria aula as 7:20. Então achei que não tinha mal em ficar assistindo o resto do jogo que acabou terminando empatado e teve decisão por penaltis. O goleiro do sevilla pegou três penaltis e os atacantes só desperdiçaram um quando um jogador isolou a bola. Os atacantes do Espanyol só fizeram um gol e o título ficou com o Sevilla.
Sai da escola de música e fui até o habib's que ficava ali perto. Tinha dois reais no bolso que meu pai havia deixado para mim, e as esfihas custavam 40 centavos cada, de modo que eu poderia comer cinco mas como sentaria nas mesas teria 10% para o garçom e decidi comer só quatro. No caminho fiz as contas de quanto custariam quatro esfihas e o resultado era R$ 1,60. Cheguei e fiz o pedido e continuei fazendo as contas na cabeça mesmo sabendo qual seria o resultado. Tinha só dois reais no bolso e isso era muito preocupante. Olhei na tabela de preços para confirmar se o preço tinha subido, o que eu sabia que não teria acontecido mas não queria correr riscos. É horrivel ter pouco dinheiro nos bolsos.
As esfihas demoraram muito pra chegar. Olhava para o relógio e para a garçonete e ela percebeu minha pressa. Tinha horário para a aula e não podia perder. Ela gritou no balcão onde o pessoal da cozinha colocavam os pedidos e continuou sem chegar. Cinco minutos depois foi o gerente quem ligou e ai então depois de outros cinco minutos chegou. Comi, paguei e fui embora. Tinha quinze minutos para chegar no colégio que ficava a boas quadras de distância. No primeiro ponto de ônibus que passei encontrei o Fernandão indo para a uel. Conversamos e segui andando.
Cheguei na rua do colégio e quando ia atravessar a rua vi a Camila parada do outro lado. Camila era uma colega do supletivo realmente linda. Era uma menina sensacional, maravilhosa e simpatica. Ela provavelmente não deveria saber meu nome mas era uma graça. Me viu e deu oi antes de eu chegar até ela. Conversamos um pouco e ela disse que tinha que ir embora e que eu não devia me atrasar para a aula. Ela era demais
Fui para o colégio e descobri que minha aula começava só as 7:40. Então eu tinha vinte minutos para ficar a toa. Sem opções de escolha fiquei a toa. Chegou o horário da aula, era biologia e a professora explicava muito mal. Era péssima professora e nem eu nem ninguem entendeu nada da matéria. Fiz a prova de qualquer jeito e minha próxima aula era só uma hora depois. Li mais um pouco do "viajante solitário" e conversei com uma conhecida que chegou por lá. E depois com um cara que tinha conhecido a pouco na aula de biologia e falamos sobre empregos e faculdades. Ele tinha bastante experiencia em emprego, trabalhava no telemarketing de um famoso jornal da cidade e já tinha trabalhado em várias lojas do shopping, então ficou me dando dicas e jogamos conversa fora até o horário da aula chegar.
Era aula de geografia e falando sobre geo-política. Tiro de letra geo-política, é uma das matérias mais legais que existem. Se geografia não tivesse que estudar sobre planicies, rios e todas essas coisas da natureza eu provavelmente pensaria em fazer essa faculdade. Geo-política é incrivelmente legal. Tirei a prova de letra e esperei meu pai me buscar. Ele chegou com um amigo e os dois estavam visivelmente embriagados. Fomos até um bar onde um amigo desse amigo do meu pai fazia aniversário. Mesa grande e sem ninguem conhecido. Bebemos três cervejas e fomos embora. Pedi pra meu pai pra passarmos num fast-food de pastel e comprei um pastel salgado e outro doce, meu pai comprou um de queijo para ele e uma coca dois litros.
Sou viciado em coca-cola, odeio admitir mas não consigo parar de tomar essa maravilhosa bebida capitalista. Também to ouvindo muito The Who. Eles são demais!

terça-feira, 15 de maio de 2007

15 de maio de 2007 - 22:50

Não fiz nada de utíl hoje. Fora terminar o livro do Bukowski que o Hermano me emprestou. "O capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio", o último que o velho escreveu. É perfeito, pode apostar. Isso não é difícil se tratando de Buk mas esse consegue te tocar de uma forma realmente incrivel. Parece que você vive com ele todos aqueles dias. Não sei se é porque da pra sentir lendo ou porque realmente temos vidas parecidas. Não, eu não vou a hipódromos pra passar o tempo. Mas eu tambem não faço nada e me canso do tempo, só não tenho onde mata-lo. E de noite tambem fico em frente ao computador. Não é um Macintosh, mas eu fico aqui todas as noites.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

14 de maio de 2007 - 23:40

Acordei cedo porque um eletricista ia vir em casa para puxar e ligar o fio de telefone no meu quarto pra poder colocar o computador lá. Minha mãe disse que ele chegaria as oito horas da manhã então coloquei o celular para despertar e acordei. Liguei pra ela e ela disse que logo ele chegaria. Fiquei esperando na cama e dormi de novo. Um sono rápido e preocupado por ter perdido a hora. Olhei no relógio do novo celular que ganhei esses dias e ainda eram oito e meia. Liguei pra minha mãe e ela disse pra continuar esperando. Dormi e acordei com o telefone tocando. Era minha mãe dizendo que o tal eletricista ia vir mais tarde, umas dez horas. Dormi mais meia hora e levantei. Fiquei a toa no computador e pouco depois ele e seu ajudante chegaram. Fui atender a porta com a roupa que tinha dormido. Uma camiseta velha da feira das nações do colégio canadá que havia estudado em 2005 e uma bermuda jeans que coloquei na hora mesmo.
Era um homem rude e meio gordo, de cabelos pretos e aspecto relaxado, porem bem vestido para um eletricista. Usava uma camisa que não me recordo a cor agora, calças jeans e sapatos pretos bastante gastos. Seu ajudante era careca do cabelo ralo, usava uma camisa com a logomarca da cerveja schincariol atrás, umas calças verdes sujas e espalhafatosas e botas.
Ficaram fazendo o serviço. Minha mãe chegou em casa para fazer umas recomendações e pedir outros consertos, porque o cara alem de eletricista era tambem um faz tudo em eletricos e hidraulicos, tinha consertado o chuveiro de casa dias antes mas não mechia com movéis, conforme disse quando minha mãe perguntou se poderia parafusar as camas bambas que atrapalham meu sono toda noite. Os dois principais motivos de agravarem minha insônia são a cama bamba e desparafusada que a cada movimento ou virada que faço balança e range e o colchão de espuma dura.
Fizeram o serviço e foram embora pelas dez e tantas, quase onze. Arrastei a mesa do computador com tudo em cima até meu quarto, liguei os fios e funcionou normalmente.
Assei uma lasanha semi-pronta no fogão. O microondas quebrou a alguns meses e até agora não arrumaram nem compraram outro, então estou me virando no fogão convencional. Almocei e voltei para o computador. Meu irmão chegou e liguei para a empresa que entrega água.
Disseram que ia demorar um tanto. Tudo bem. Demorou um tanto mesmo. Pedi as duas e chegou perto das quatro. O homem que entrega sempre chegou. Não é de muitas palavras. Abro o portão, ele entra com a água e vai fazendo a passos meio inseguros o caminho da cozinha até o filtro que já conhece com o galão de 20 litros de água nas costas e pergunta enquanto anda se quer que coloque. A mesma resposta positiva de sempre. Então abre o galão, higieniza a beirada dele com um spray que carrega na pochete e parece ser alcool ou algo do tipo. Passa umas folhas de papel em volta e coloca no filtro driblando a dificuldade com a experiencia que já deve ter.
Paguei. Tirou o troco da pochete e me deu. Agradeceu e agradeci de volta após dar o troco. Caminha até o portão, abre e vai embora sem uma palavra. Eu vou atrás e tranco tambem quieto. Não tem nunca o que falar. É assim uma vez a cada três semanas mais ou menos, com a diferença de poucos detalhes como o troco e o horário.
Fiz mini-pizzas ao anoitecer. Comi assistindo malhação. Minha mãe chegou. Li Bukowski, "o capitão saiu para o almoço e os marinheiros tomaram conta do navio". O último livro do velho publicado. Minha mãe chegou. Continuei no computador. 21:20 e tinha que ir ao colégio para fazer uma só aula. Fiz e meu pai me ligou. Fui com ele até a casa de um amigo que estava fazendo aniversário. Comi um pedaço de bolo e ficamos pouco mais de meia hora. Voltamos e estou aqui. Vou ficar até dar sono. Amanhã não tenho nada progamado pra fazer. É isso.