domingo, 20 de maio de 2007

21 de maio de 2007 - 1:43

Há quase uma semana tinha combinado que eu e o Hermano iríamos com meu pai para Maringá, onde mora minha madrasta e onde meu amigo Luy esta morando desde o começo do ano, de modo que ficaríamos na casa dele e no sábado iríamos ao show dos Droogies para encontrar os amigos de Londrina Felipe e Thaty no bar do rock maringaense.
A sexta chegou e meu pai ligou e disse que iríamos só no sábado. Então ligou novamente e disse que iríamos na sexta mesmo. Avisei o Hermano e ele disse que não ia poder ir porque tinha consulta no otorrinolaringologista as 3 horas da tarde e coincidiria com o horário da viajem. Mas então meu pai decidiu que iríamos mais tarde, por volta das 6 horas e então quando eram 4 liguei para ele na casa de seu avô e pedi para que fosse até sua própria casa de ônibus, pegasse suas roupas que passaríamos lá para apanhá-lo. Ele disse estar com preguiça e decidiu não ir, o que me deixou bastante irritado pois eu teria chamado o Felipe Melhado antes se soubesse que o Hermano ia desistir na última hora. Então me despedi dele rapidamente e fiquei realmente decepcionado. De modo que fomos apenas eu e meu pai no carro.
Avisei o Luy que chegaria em Maringá por volta das 8 horas da noite. Saímos de Londrina por volta das 6:40 e antes de seguir a viajem passamos em um posto na saída da cidade para abastecer e para mim comprar chips e refrigerantes na loja de conveniência. Esta tinha uma porta de segurança onde você tinha que abrir a primeira, entrar e ficar “preso” no pequeno espaço entre esta e uma segunda porta que servia como um detector de metais, e então você abria a outra porta e entrava na loja de conveniência. Para a maioria das pessoas não deveria ser nada alem de mais uma boa maneira de evitar assaltos mas para mim não. A claustrofobia me apavorava em qualquer situação de pequenos lugares. Mas foi algo rápido e logo eu já havia entrado, comprado as coisas e saído enquanto meu pai pagava o salgadinho de batata com sabor de peito de peru e a coca-cola de 600 ml gelada e conversava com a moça loira do caixa que dizia sermos muito parecidos e que sua filha mais velha também parecia com ela e coisas do tipo.
Entramos no carro e seguimos a viajem sem maiores problemas. Chegamos na cidade e seguimos até o local indicado aonde Luy me encontraria. Era um bar na esquina de uma avenida com algumas mesas do lado de fora e um salão médio dentro. Pedimos cervejas e tomamos esperando ele chegar. Uns quinze minutos depois de ter ligado para avisar onde estávamos ele chegou com as calças jeans justas, vestindo uma jaqueta de couro contra o friozinho que fazia na cidade e com um cigarro na mão direita como de praxe. Tomamos mais uma cerveja, então me despedi de meu pai e seguimos para sua casa.
No caminho paramos em uma padaria que também funcionava como uma espécie de mercearia e compramos um vinho tinto suave barato de cinco reais que ele pagou e bebemos no caminho.
Algumas quadras alem numa minúscula rua de terra que cruzava a avenida principal ficava sua kitnet. Um local pequeno que de frente parecia ser uma casa grande de dois andares mas que se estendia com aproximadamente oito kitnets que já vinham equipadas com ar condicionado.
Imaginava a casa de Luy um lugar bagunçado, sujo e com garrafas de bebidas, discos, papeis e fotos colados nas paredes com textos e músicas escritas por ele mesmo e fotos velhas pelas paredes como em seu antigo quarto no apartamento que dividia com sua irmã em Londrina a um tempo atrás. Mas me enganei, por sorte. Morando sozinho ele havia criado responsabilidades do lar e a kitnet era organizada e aconchegante. Na entrada o armário fazia um tipo de divisória e nas costas desse que dava de frente para a porta suas fotos estavam coladas e organizadas e um pôster dos Ramones que meu amigo Caio tinha igual, e era basicamente uma foto do Joey com uma calça jeans preta rasgada com a mão esquerda como sempre no microfone e os óculos vermelhos no rosto. Nas paredes os mesmos textos e músicas colados, logo ao lado da entrada a pequena cozinha, uma bancada com um liquidificador sem jarra (que estava na geladeira) e do lado esquerdo da bancada um suporte onde ele guardava organizadas as garrafas de bebidas. Ao lado direito da bancada ficava o fogão e do lado direito deste a pia seguido pela geladeira. A mesa do computador em frente ao armário e do lado desta o beliche onde ele dormia embaixo e guardava bagunças em cima. Em frente do beliche ficava a porta do banheiro e em diagonal a essa do lado direito da cama a porta da varanda que dava de frente para a ruazinha de terra com pequenos casebres de madeira na frente.
Conversamos um pouco e então fizemos a janta. Ele fez o arroz e eu descasquei a calabresa. Tirou da geladeira os bifes já temperados e fritou estes e depois a calabresa. Deixou o arroz cozinhar mais um pouco enquanto eu fazia uma mistura de pinga velho barreiro com suco de morango no liquidificador para mantermos o grau alcoólico enquanto jantássemos. Comemos e bebemos o drink gelado com cubos de gelo nos copos e que ficou uma delicia. Depois de terminar a janta já eram perto das nove horas. Fui tomar banho e levei o copo com bebida para o chuveiro. Tomei banho enquanto bebia e já me sentia consideravelmente bêbado e alegre. Luy não quis tomar banho, então trocamos de roupa e partimos em caminhada para a casa de uns amigos seus que ficava a uma boa distância dali, coisa que só descobri depois quando já estávamos nos matando de andar. Quase uma hora de caminhada intensa depois chegamos na casa dos caras, que ficava em um dos muitos prédios numa pequena rua em frente a UEM (universidade estadual de Maringá) e que por isso era praticamente abrigado apenas por estudantes. Na casa moravam cinco amigos dele que também haviam vindo do Mato Grosso do Sul e faziam faculdade em Maringá. Um deles havia estudado em Londrina no mesmo colégio de eu e me confundiu com o Bernardo, um amigo que tem algumas semelhanças comigo e que mora em Florianópolis ou Camburiu hoje em dia. Depois ele reconheceu que não era ele mas disse se lembrar de mim também. Não conhecia ele mas depois pensei e lembrei também não me ser estranho. Estavam com fumo e nos chamaram pra curtir. Subimos e eu fumei com eles, Luy não curtia e ficou apenas sentado esperando e olhando.
Ficamos um pouco com eles e descemos para comprar vinho num dos bares que ficavam ali perto e lotavam de estudantes. Descemos até lá e resolvemos tomar algumas cervejas. Um homem veio nos cumprimentar e dizer que eu era a cara dos caras dos Ramones e coisas do tipo que ouvi várias vezes em Maringá, o que posso confessar me deixou orgulhoso e feliz porque sou realmente muito fã deles.
Tomamos algumas cervejas e compramos duas garrafas de vinho barato. De modo que eu tive que pagar a maioria porque o Luy estava com pouco dinheiro e então seguimos novamente até a casa deles.
Eles estavam fumando de novo então sentei e aproveitei com eles. Começamos a jogar presidente no baralho e eu não sabia jogar e eles tiveram que me ensinar na hora mesmo, mas mesmo sem não saber praticamente nada e provavelmente por sorte tive um bom desempenho e nas duas partidas que jogamos fui vice-presidente e o segundo melhor.
Logo depois Luy caiu de sono e dormiu com as cartas na mão. A maioria deles teria que acordar cedo no outro dia e já era alem da duas da manhã, havíamos matado uma garrafa de vinho e senti meu estomago virando provavelmente pela mistura de bebidas e a bile subindo pela minha garganta como se ela tivesse sido virada pelo avesso. Fui até a cozinha e tomei litros e litros de água mas não resolveu, o enjôo e gosto horrível continuava lá. Tentei ver se açúcar ajudaria. Abri o pote, peguei uma quantidade grande com a mão e enfiei de uma vez na boca. Amarrou mais ainda minha garganta e fez meu estomago dar pulos de mal-estar, pois não era açúcar e sim sal e fiquei com o terrível salgado na boca de modo que tive que tomar mais litros de água e desistir da idéia.
Um dos caras que moravam lá havia ido dormir na casa de sua namorada que por coincidência ficava no prédio da frente, então pude dormir no colchão dele e como odeio dormir de calça jeans fiquei apenas de cueca e me cobri com o cobertor. Acordei no outro dia as onze da manhã me sentindo péssimo. Na casa estávamos só Luy eu e Deni, o cara onde eu havia dormido no colchão e era bem gente boa.
Luy se lembrou de que havia deixado uma carne descongelando para fora da geladeira e ela poderia estar estragada, então nos despedimos e saímos para salvar a carne e o almoço. Ainda tinha restado três reais do meu dinheiro e Deni nos emprestou mais um real que usaríamos para pegar ônibus. No caminho desistimos e resolvemos ir a pé mesmo, paramos em uma feira que já estava desmontada e a única barraca ainda funcionando e com bastante movimento era a dos pastéis. Comemos pastéis de pizza com o dinheiro do ônibus e conversamos com duas moças que trabalhavam ali na mesma barraca e que haviam terminado seu turno.
Caminhamos de volta para sua casa e fizemos o almoço. O mesmo cardápio da janta do dia anterior mas dessa vez com suco sem pinga e com água, que marcou meus as pontas de meus dedos com seus corantes e composições químicas enquanto eu fazia na jarra de liquidificador. Almoçamos e ele colocou dvds e vídeos dos simpsons que tinha para eu ver. Assistimos o dvd inteiro,ele colocou a fita e logo depois caiu de sono. Eu estava exausto e cansado mas não conseguia pegar no sono. Ligava o ar-condicionado, desligada, virava para um lado, virava para o outro e nada de dormir. Desliguei as luzes, fechei as janelas, desliguei a televisão e continuei tentando. Sempre tive esse problema para pegar no sono. Podia estar com muito sono mas não conseguia dormir. Depois de muito tempo quando conseguia dormia como uma pedra, mas até lá era um sacrifício. Exceto quando eu estava bêbado. Então depois de muito tempo dormi, quando já eram pouco mais de quatro horas e acordei as 7 simultaneamente com Luy na cama de baixo. Levantamos e fizemos o jantar. Comemos e depois tomamos banho. Saímos para a casa dos caras mas dessa vez de ônibus. Dentro do ônibus três moleques tentando ser bem vestidos começaram a olhar para nós e rir. Ignorei e continuei conversando com Luy mas ele se irritou e começou a ameaçar os caras em voz alta. A coisa continuou e eu tentava conter o Luy pra não arranjar brigas. Um homem entrou no ônibus, sentou atrás dele e começou a puxar-papo. E foi graças a esse homem que evitamos de se envolver em uma briga pois o palhaço da frente que estava com os dois amigos continuou provocando mas eu não dei atenção. Luy estava virando para trás conversando com o homem e se tivesse visto mais algo do que os otários estavam falando iria retrucar e seriamos obrigados a brigar e sair com a alma honrada.
Mas por sorte não aconteceu mais nada alem disso. Fora que quando chegamos ao terminal e descemos eles olharam e Luy olhou de volta, ignorei e saímos andando a pé até o apartamento dos caras que era ali perto. Chegamos e eles estavam assistindo o dvd “end of the century” dos Ramones que eu já havia visto tempos atrás, mas que era realmente demais. Jogamos algumas partidas de baralho e dessa vez consegui ganhar e ser o presidente. Chegou a hora marcada para o show dos Droogies e eu e Luy saímos caminhando pelas ruas de Maringá no caminho para o bar do rock de lá que era no mesmo sentido de sua casa. No caminho nos perdemos na altura do colégio marista. Um homem negro, alto, careca e bem vestido passava e decidimos pedir informação para ele. Perguntamos onde ficava a avenida do bar. Ele parou para respirar antes de falar e quando falou tivemos que nos segurar para não cair na gargalhada. Apesar das aparências tinha uma voz extremamente fanha, passou as informações certas e eu tive que sair de perto para não rir na frente dele. Depois nos questionamos se seria brincadeira da parte dele ou se ele realmente falava daquele jeito, dúvida essa que persistiu mas que continuamos rindo de qualquer forma já quando estávamos longe dele, claro.
Chegamos ao show e algumas pessoas esperavam na frente. Descobri na hora que o Rock Rocket, banda de São Paulo que já vinha fazendo sucesso a algum tempo ia tocar também. E por isso o preço elevado, eram 10 reais antecipados e 15 na hora, mas conversei com o cara que estava cuidando da portaria, expliquei que era de Londrina e amigo dos Droogies e ele fez por 12 para mim e para o Luy, ele só tinha nove reais e tive que cobrir o restante e uma cerveja que tomamos num bar da esquina antes de entrar e as cervejas lá dentro também, de modo que torrei todos os meus trinta reais para a noite.
Passamos o show conversando com a Thaty e o Felipe. No show dos Droogies o Felipe dedicou uma música pra mim e me disse ter ficado muito feliz por eu ter ido lá para ver a banda deles sem saber que teria rock rocket, até porque eu não gosta muito mesmo e foi algo legal.
Eu estava usando uma camiseta de manga longa com listras vermelha e branca que o Luy havia me emprestado e estava realmente Ramones, combinado com o cabelo e tudo mais, de modo que não demorou muito e várias pessoas vinham falar comigo, me comprimentar e dizer que eu parecia com os caras, enquanto outros só cochichavam e comentavam enquanto eu passava. Era um sinal de orgulho parecer com seus ídolos.
O show lotou rapidamente e havia um japonês grande e mal encarado que trombava em quem fosse possível. Trombou comigo umas duas vezes e estava na cara que queria arrumar briga. Maldito filho da puta, fiquei na minha e continuei curtindo, depois vi ele trombando com outro cara e esse voltou e deu um chute nele. Era um maldito japonês folgado e estava cheio dos amigos, todos uns bastardos também, um deles inclusive havia vomitado no balcão do bar e ficado escorado com a testa la. Bando de babacas, eles estão presentes em todos os lugares. Não adianta fugir deles, sempre vai haver um idiota querendo brigar ou estragar as noites dos outros. Melhor a fazer é ignorar. Japonês filho da puta.
O show continuou sem maiores problemas. Gastei todo o dinheiro em cerveja e ficamos um tempo no camarim das bandas com os Droogies. Depois teve o show do Rock Rocket e antes disso o Renato havia me ligado e pedido para mandar um abraço para um dos caras que era seu amigo. Eu não fazia idéia de quem era e falei para um deles que respondeu mal-humorado que não era o tal “Pesk” e apontou para o cara atrás dele. Devia estar estranhando por eu não reconhecer ele ou simplesmente de mal-humor, detestei-o de primeira até porque achava a banda consideravelmente ruim e haviam feito uma música baseada no conto “a mulher mais linda da cidade” do Buk e transformado em uma música horrível de ruim. Isso me deixava puto. Mas o tal Pesk era um cara legal, agradeceu por eu ter dado o recado e foi um cara realmente simpático e amigável. Depois no palco também pareceu ter mais presença e ser mais cativo. A galera vibrava com as músicas da banda sensação e eu só consegui curtir quando tocaram “caught with the meat in your mouth” dos Dead Boys.
O show acabou lá pelas 5 e tantas da manhã e ficamos conversando com a Thaty e o Felipe e bebendo. As 6 horas da manhã resolvemos ir embora, nos despedimos dos amigos e caminhamos a pequena distancia até sua casa que ficava ali perto sob a claridade do ínicio do dia que começava a pouco. Luy disse estar com muita fome, então chegando lá cozinhou mais um pouco de comida. Comemos e fomos dormir exaustos. Acordei no domingo ao meio dia com meu pai ligando no celular do Luy e me chamando pra almoçar. Disse que iria me deixar dormir mais algumas horas mas com o sono interrompido não consegui mais dormir. Ficamos assistindo televisão. Tomei banho e arrumei minhas coisas porque voltaria para Londrina logo após o almoço. Na noite anterior o Luy havia me dito que daria a camiseta listrada de presente para mim porque todo mundo havia elogiado e ele disse que ela ficava melhor em mim e me deu. Eu achei que fosse papo de bêbado mas enquanto fazia a mala ele me disse para não esquecer a camiseta e eu fiquei realmente feliz porque é uma camiseta realmente legal e havia ficado ótima em mim. Agradeci a ele e meu pai ligou dizendo que estava na avenida principal me esperando. Escovei os dentes e saímos. Encontramos meu pai e ele deu uma carona para Luy até perto da casa dos caras novamente. Nos despedimos e ele disse que sempre que viesse a Maringá era pra ficar na casa dele novamente, eu disse o mesmo e que minha casa estaria de portas abertas em Londrina.
Fui com meu pai até a casa dos pais da melhor amiga de minha madrasta. Almocei enquanto eles comiam sobremesa e a senhora deu várias mudas de vegetais e temperos para meu pai plantar na pequena horta que mantém em casa como passatempo e Deus sabe lá o que.
Nos despedimos e passamos antes num shopping para tentar achar um all-star que eu queria, o que foi em vão e sem sucesso. Voltamos para o carro e seguimos de volta para Londrina. Voltei cochilando no caminho.
De noite meu pai pediu pizza e devorei uns quatro pedaços da minha comida favorita. Fiquei em frente ao computador e ouvi música.
São três e meia da madrugada. Agora vou ler um pouco de “viajante solitário” do Jack Kerouac e dormir.

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