sexta-feira, 17 de agosto de 2007

17 de agosto de 2007 - 04:18

Se eu morasse em um prédio eu provavelmente já teria me jogado pela janela.

quarta-feira, 15 de agosto de 2007

16 de agosto de 2007 - 02:41

Ás vezes quando não se tem nada a dizer o melhor a fazer é ficar quieto.


Ps: Alguem já deve ter dito isso antes, mas eu quis dizer agora. Foda-se.

16 de agosto de 2007 - 02:06

Deitei na cama para tentar dormir mas não consegui. Sempre tive esse problema para pegar no sono, então ficava rolando de um lado para o outro, ou olhando para o teto do quarto e pensando na minha vida e aqui realmente me assustava. Me assustava porque era o único momento do dia em que eu ficava realmente sozinho e todas as divagações da minha cabeça vinham a tona. As luzes apagadas, as portas fechadas, deitado ali com as cobertas e a cabeça no travesseiro ouvindo só o barulho da minha respiração e me perguntando questões tolas de possíveis soluções para melhorar minha vidinha. Era tudo tão estranho. E esse tempo todo demorava uma ou duas horas mas que pareciam séculos.

Séculos encarando a mim mesmo e tendo uma conversa particular, a qual eu realmente me amedrontava e me apavorava de saber que agora eu não tinha nenhuma distração e nem pra onde fugir e nem mesmo ninguém para me chamar à atenção. Agora era eu contra mim mesmo e então todos aqueles pensamentos, lembranças e sonhos vinham à minha cabeça e eu tentava organizá-los e colocá-los em ordem para que não me assustassem mais mas era tudo em vão, pois eles teimavam em se espalhar e me confundir com milhares de interpretações e situações diferentes onde eu tinha que rapidamente achar uma saída.

Então, cansado de tudo isso eu levantei e coloquei um disco no rádio. Deixei o Tommy Stinson tocando e me deitei novamente. A música no volume extremamente baixo mas suficientemente alto para ser ouvido bem por mim ali deitado enquanto ela invadia meus ouvidos e eu me revirava na cama esperando o sono vir. Deixava as músicas passarem e me deliciava com suas melodias aconchegantes e letras poéticas.
Mas como que tudo que é bom dura pouco o disco logo acabou. Então desliguei o rádio e tentei dormir novamente.

Mais uma vez todos os pensamentos vieram a minha cabeça mas dessa vez tentei ignorá-los e não pensar em nada. Talvez contar carneirinhos como minha mãe havia me sugerido dia desses. Não funcionou muito bem, era algo chato e realmente sem graça. Voltei a olhar pro céu e tentar manter minha mente longe de qualquer pensamento, só esperando o sono vir.
Isso acontecia muitas vezes e eu sabia que logo eu apagaria e não lembraria daquilo no outro dia, como de fato aconteceu.

Fui ao aniversário do tio de um amigo com ele. Bebemos algumas cervejas e ficamos por lá. Acabou cedo e voltei para minha casa, um pouco extasiado pela bebida. Nada de alterações mais sérias, só um leve estado de embriaguez adquirido que me fez ficar mais sensitivo a pequenas coisas.

Voltei pra casa e coloquei o mesmo disco para tocar. Ouvi algumas faixas e ele soou realmente fascinante, como realmente era.
Deixei tocar algumas músicas e então “Hey You”, minha música favorita. A melodia começava e a bateria parecia fazer barulhos de batidas de coração no inicio da música.

Senti meus pelos arrepiarem e uma onda de frio tomar conta do meu corpo. Coloquei meus braços junto ao tronco para me aquecer e deixei a palma da minha mão direita exatamente em cima do meu coração. A música tocava sua harmonia fascinante com a perfeita combinação de violão de voz e meu coração palpitava na minha mão.
Naquele momento eu tive a certeza de que estava vivo, e de que por mais que os tempos fossem ruins e os maus pensamentos invadissem minha cabeça, e mesmo nas noites de insônia e nos momentos que antecediam o sono, onde a vida e eu tínhamos uma conversa particular ele continuaria ali, palpitando e me dizendo que estava vivo.

sábado, 11 de agosto de 2007

11 de agosto de 2007 - 21:47

Tento incessantemente arrancar palavras desse coração frio que bate no meu peito, mas é tudo em vão.
Estou congelado por dentro e as coisas só parecem acontecer ao meu redor sem que eu note. E eu não posso fazer nada para impedir isso, e talvez nem queira.
Preciso de uma fogueira quente para esquentar meu coração frio.


Pego um jornal velho e fico lendo as notícias de anos atrás. Elas parecem muito com as de atualmente e minha vida também se parece muito com o que era há anos atrás.
É tudo sem cor e sem graça. Não sei se já os tiveram um dia, mas hoje em dia tudo parece superficial. Não consigo ter força de vontade para me levantar da cama e fazer algo por mim mesmo. Não tenho força de vontade para fazer nada por ninguém. Quero ficar aqui deitado esperando tudo passar. Só me deixem ficar aqui esperando tudo passar.

terça-feira, 7 de agosto de 2007

7 de agosto de 2007 – 04:05

Duas e meia da manhã. Estou com fome. Desço ao andar de baixo de casa e vou até a cozinha. Preparo uma mini pizza com molho de tomate, queijo, tomate e peito de peru.
Enquanto a coloco no forno faço dois pequenos filés de frango na pequena churrasqueira elétrica.Dez minutos depois e tudo esta pronto. Coloco no prato e abro a geladeira. Não tem coca, estou com preguiça de fazer suco. Pego um copo de água e vou para a frente da TV.

Ligo e troco os canais. Na Globo o programa ordinário de Jô Soares. No sbt um filme ou seriado sem pé nem cabeça, pelo menos pra mim que não costumo conhecer esse tipo de coisa. Volto para a Globo e assisto ao final da entrevista do Jô com uma mulher baixinha e feia que nunca vi na vida.

Beijo do gordo, o programa finalmente acabou. Fico em frente a TV para ver o que vem na seqüência enquanto como o final da mini-pizza. Vinheta de filme, abertura de filme indicando ser cinema nacional. Eu gosto de cinema nacional. Se for pornochanchada melhor ainda. Começam os créditos iniciais. O filme se chama “Não quero falar sobre isso agora”. Título sugestivo, gostei.

Evandro Mesquita faz o papel de um malandro aspirante a escritor e sonhador que é chutado pela namorada milionária que o sustentava, assim ele é obrigado a dar a cara a tapa e tentar algo na vida. Sonha em ser um grande escritor e seu roteiro sempre é rejeitado pelo diretor da rede de televisão que o trata com desprezo. Vai morar de favor com uma amiga gordinha simpática, como o mesmo diz.

Acaba pegando carona com um traficante sem saber disso. No caminho uma perseguição da polícia começa e o trafica manda ele fugir com um grande pacote de cocaína e diz que vai buscar depois. E o cara vai preso, e ele fica com a droga e deixa lá guardada. E ai o filme vai.Conhece uma mina interpretada pela Marisa Orth. Se apaixona, namora com ela. Continua sem arranjar emprego. Continua sem grana. Decide vender a droga para levantar algum após ver que o traficante havia sido condenado a 25 anos de prisão. Divide em um monte de papelotes e vende por ai. Faz uma boa grana.

Amigos do traficante voltam para cobrar a pedra. Estão prontos para matá-lo quando a polícia prende todos. Se salva pagando cervejas para o delegado. Tudo isso num contexto humorístico. Ele ainda sonha em ser escritor, mas decide partir para a música e compra uma guitarra com a grana que levantou. Depois troca a guitarra por uma máquina fotográfica e monta um pequeno estúdio ali no apartamento mesmo. Também não da certo.

Policiais corruptos vem para pegar a droga para o traficante principal. Reviram o apartamento inteiro e não acham nada. Levam a grana que acham, mas ele havia escondido um outro montante. Decide fugir. Da parte da grana para a amiga e pega um veleiro com um amigo francês. Acaba indo parar em Nova York. No Rio de Janeiro o traficante sai da cadeia sabe-se lá como e volta para cobrar a divida. O final termina com a amiga gordinha lendo um postal dele com a paisagem de Nova York enquanto esta deitada abraçada ao lado do traficante.

O filme acaba e os créditos começam a descer. Vou lendo sem compromisso. Um monte de nomes de produtores, assistentes disso e daquilo, diretores de sei lá o que. Quase todas as músicas por Evandro Mesquita. Então os créditos estão acabando e no último nome, quando eu já havia me perdido, pois ninguém lê créditos com atenção eu consigo visualizar a tempo escrito: John Fante – Sonhos de Bunker Hill.

Corta e vai para os comerciais para começar a próxima atração. Fiquei perplexo. O filme era bom, nada de excepcional, só bom. Ainda mais pra um filme nacional. Mas fiquei curiosíssimo pra saber o que um dos livros mais legais do Fante estava fazendo ali no final dos créditos. Provavelmente um dos livros em que o roteirista se inspirou para fazer. Procurei na internet e não achei nada sobre. Só descobri o ano do filme, duração, sinopse e que foi a primeira parceria da Marisa Orth e do Evandro Mesquita. A outra foi em “Os normais”.

Já são 04:26 e não estou com sono. Acho que troquei o dia pela noite. Droga. Não quero falar sobre isso agora. Grande título. Vou lá tentar dormir.