Deitei na cama para tentar dormir mas não consegui. Sempre tive esse problema para pegar no sono, então ficava rolando de um lado para o outro, ou olhando para o teto do quarto e pensando na minha vida e aqui realmente me assustava. Me assustava porque era o único momento do dia em que eu ficava realmente sozinho e todas as divagações da minha cabeça vinham a tona. As luzes apagadas, as portas fechadas, deitado ali com as cobertas e a cabeça no travesseiro ouvindo só o barulho da minha respiração e me perguntando questões tolas de possíveis soluções para melhorar minha vidinha. Era tudo tão estranho. E esse tempo todo demorava uma ou duas horas mas que pareciam séculos.
Séculos encarando a mim mesmo e tendo uma conversa particular, a qual eu realmente me amedrontava e me apavorava de saber que agora eu não tinha nenhuma distração e nem pra onde fugir e nem mesmo ninguém para me chamar à atenção. Agora era eu contra mim mesmo e então todos aqueles pensamentos, lembranças e sonhos vinham à minha cabeça e eu tentava organizá-los e colocá-los em ordem para que não me assustassem mais mas era tudo em vão, pois eles teimavam em se espalhar e me confundir com milhares de interpretações e situações diferentes onde eu tinha que rapidamente achar uma saída.
Então, cansado de tudo isso eu levantei e coloquei um disco no rádio. Deixei o Tommy Stinson tocando e me deitei novamente. A música no volume extremamente baixo mas suficientemente alto para ser ouvido bem por mim ali deitado enquanto ela invadia meus ouvidos e eu me revirava na cama esperando o sono vir. Deixava as músicas passarem e me deliciava com suas melodias aconchegantes e letras poéticas.
Mas como que tudo que é bom dura pouco o disco logo acabou. Então desliguei o rádio e tentei dormir novamente.
Mais uma vez todos os pensamentos vieram a minha cabeça mas dessa vez tentei ignorá-los e não pensar em nada. Talvez contar carneirinhos como minha mãe havia me sugerido dia desses. Não funcionou muito bem, era algo chato e realmente sem graça. Voltei a olhar pro céu e tentar manter minha mente longe de qualquer pensamento, só esperando o sono vir.
Isso acontecia muitas vezes e eu sabia que logo eu apagaria e não lembraria daquilo no outro dia, como de fato aconteceu.
Fui ao aniversário do tio de um amigo com ele. Bebemos algumas cervejas e ficamos por lá. Acabou cedo e voltei para minha casa, um pouco extasiado pela bebida. Nada de alterações mais sérias, só um leve estado de embriaguez adquirido que me fez ficar mais sensitivo a pequenas coisas.
Voltei pra casa e coloquei o mesmo disco para tocar. Ouvi algumas faixas e ele soou realmente fascinante, como realmente era.
Deixei tocar algumas músicas e então “Hey You”, minha música favorita. A melodia começava e a bateria parecia fazer barulhos de batidas de coração no inicio da música.
Senti meus pelos arrepiarem e uma onda de frio tomar conta do meu corpo. Coloquei meus braços junto ao tronco para me aquecer e deixei a palma da minha mão direita exatamente em cima do meu coração. A música tocava sua harmonia fascinante com a perfeita combinação de violão de voz e meu coração palpitava na minha mão.
Naquele momento eu tive a certeza de que estava vivo, e de que por mais que os tempos fossem ruins e os maus pensamentos invadissem minha cabeça, e mesmo nas noites de insônia e nos momentos que antecediam o sono, onde a vida e eu tínhamos uma conversa particular ele continuaria ali, palpitando e me dizendo que estava vivo.
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