quarta-feira, 27 de junho de 2007

28 de junho de 2007 - 01:22

Deus do céu, estou com uma gripe que esta me matando. Mas mesmo assim não consigo deixar de tomar coca-cola gelada, é um hábito que já mantenho a algum tempo e que esta se tornando um vício.

Meu nariz escorre como uma bica de água. É nojento e eu me sinto mal. Fico despejando as palavras em frente ao computador com os lenços de papel do lado e o copo de coca-cola vazio agora, mas daqui a pouco eu desço até o terreo do sobrado aonde moro e vou até a cozinha pegar mais. E depois acabo com ela de novo, e desço novamente para pegar mais e sigo nesse ritmo até que me canse ou que acabe com a garrafa.

Estou esperando o sono chegar, mas é ruim dormir gripado. Parece que a temperatura do meu corpo cai quando estou dormindo e acordo mais gripado ainda no dia seguinte, por mais coberto que eu durma. Vou continuar em frente ao computador sem fazer nada. Ouvindo Ryan Adams e conversando sobre coisas banais no msn. Depois vou ler um pouco de "Tristessa" de Jack Kerouac. Livrinho bacana e fino, talvez termino hoje. Não é nada perto dos geniais on the road e dharma buns, mas tem uns pedaços ao melhor estilo Kerouac descrevendo todos os detalhes e fazendo su acabeça viajar pelo livro e ter uma vontade incrivel de ter boas histórias como aquelas para contar também.

27 de junho de 2007 - 15:58

Lá estava eu outra vez, voltando para o inferno de onde havia saído.

Quem sabe dessa vez não fosse o paraíso?

Só Deus sabe.

27 de junho de 2007 - 14:47

Um dos grandes problemas que eu enfrento quando vou escrever para este diário é que eu geralmente esqueço de colocar o horário exato em que comecei a escrever e acabo colocando o horário em que terminei.

terça-feira, 26 de junho de 2007

27 de junho de 2007 – 03:25

Cheguei no cursinho cinco minutos atrasado para a primeira aula. Não era nenhum problema pois ás 19:30 tinha outro sinal para os atrasados entrarem e assistirem a outra metade daquela aula. Nesse dia era de redação, e eu realmente não gostava de perder aulas de redação, pois além de gostar escrever eu queria aprender como se fazia isso de acordo com as provas do vestibular.
Cumprimentei o senhor porteiro que era de estatura baixa, cabelos pretos provavelmente tingidos e penteados para trás e um rosto de aparência de uma pessoa bastante vivida, com rugas e sinais da idade. Devia ter lá seus 60 anos. Era um homemzinho simpático que ficava ali na frente abrindo e fechando o portão manual para os alunos que chegavam ou saiam após o primeiro sinal. Já havíamos conversado outra vez quando eu e outro colega falávamos de bebida e o senhor disse gostar bastante de uma caipirinha e achei aquilo bem espontâneo, então conversamos sobre tipos de caipirinha e sempre que passava pela entrada do colégio fazia questão de dar um boa noite para o senhor. Neste dia não foi diferente, mas dessa vez parei para perguntar seu nome e ele respondeu - “Me chamo Grinauro Batista Magalhães” ou um outro nome do meio qualquer que não me lembro agora mas acho que é Batista. – “Boa noite seu Grinauro” despedi-me e entrei no colégio.
Nesse tempo caminhei até a cantina do colégio. Os vários outros alunos atrasados estavam sentados por lá também ou nos bancos encostados a parede da entrada e alguns até lá fora.
O legal dessa cantina de onde eu faço cursinho é que tem uma televisão que fica ligada e eu sempre aproveito para assistir um pouco se tiver passando algo de bom em momentos como esse. Na noite passada eu havia assistido o jornal nacional junto com o homem de cabelos longos como os meus, um pouco abaixo da orelha que provavelmente haviam loiros no passado e agora eram de uma cor indefinida entre um loiro fraco e um grisalho recém chegado, na idade dos 40 que aparentava ter. Tinha uma outra moça que trabalhava lá e que eu estava em dúvida se era irmã ou esposa dele, mas provavelmente era irmã pois tinha uma senhora mais velha que era mãe da moça que ia as vezes lá. A moça tinha os cabelos loiros escuros, um rosto bonito e um corpo maravilhoso. Do balcão só podíamos ver da cintura para cima e ela ostentava belos seios e um quadril maravilhoso e quando ela se afastava um pouco para ir na cozinha (que fica atrás da cantina) podíamos ver suas pernas bonitas e concluir que ela realmente era muito gostosa e fazia essa façanha sendo bonita ao mesmo tempo. Um único defeito era o nariz um pouco estranho, mas nada que estragasse o resto de sua aparência beirando a perfeição. Aparentava ter uns vinte e poucos anos, mas com um rosto de idade um pouco mais madura, sem ser menos belo por isso.
Duas notícias seguidas passaram no jornal da noite anterior. Em uma delas quatro jovens de classe-média e boa vida do RJ que haviam covardemente atacado e espancado uma empregada em um ponto de ônibus durante a madrugada anterior quando esta saia para ir ao médico e a outra notícia de um funcionário da polícia civil que havia tentado furar a fila de um caixa eletrônica e ao ser repreendido por um funcionário de uns 60 anos acertou um soco no senhor que caiu, bateu a cabeça no chão e veio a falecer mais tarde. Fatos que deixariam revoltado qualquer cidadão, e que nos deixaram da mesma forma.
Eu e o homem que trabalhava na cantina trocamos algumas palavras injuriadas sobre as barbaridades e lamentamos o fato de coisas assim acontecerem em nosso país, mas provavelmente estariam acontecendo no resto do mundo também. Uma grande pena.
Assim sendo pensei que ele fosse me reconhecer hoje. Então parado ali na diagonal próxima a cantina e olhando a Tv com certa distância vi ele fazer um sinal de positivo na minha direção. Retribui e disse “bom” como cumprimento. Então vejo ele fazendo o mesmo sinal de positivo, sem abaixar o dedo para o lado ao meu. Olhei para trás e vi que era o inspetor do colégio passando e calculei que no momento em que o sinal foi para a minha direção ele devia estar passando atrás de mim.
Senti uma vergonha tremenda e uma vontade de sumir dali. Essas situações eram realmente horríveis, confundir os cumprimentos. Me senti um imbecil e fiquei parado com vontade de que aparecesse um buraco e eu pudesse sumir. Sempre ficava assim nessas situações constrangedoras. Fiquei em dúvida se ele havia feito dois sinais de cumprimento, um para mim e outro para o inspetor, mas tive quase certeza que era só para o inspetor.
Mesmo assim decidi enfrentar minha vergonha e me aproximei mais de perto da Tv. Começou uma novela péssima e perdi o interesse. Sentei-me em uma das cadeiras que ficavam a primeira fila em frente a cantina e virei de costas para o balcão. A vergonha ainda estava ali, mas não queria sair e ir para outro canto, até porque nem tinha outro canto no colégio. Abri minha bolsa e tirei “Tristessa” de Jack Kerouac que o Melhado havia me emprestado a uns tempos atrás mas que só havia começado a ler agora. Livrinho fino e bacana, não chega a ser um dos clássicos do Kerouac mas me pareceu bom até ali. Estava na metade, abri minha página e me pus a ler. Cada linha que eu lia me lembrava a situação do cumprimento e voltava a me sentir um imbecil. Olhei no relógio do celular e ainda faltavam cinco minutos para o sinal tocar. Li mais uma página, guardei o livro e sai de fininho, como se não tivesse acontecido nada demais. Mas eu sabia que havia, e o homem quase grisalho da cantina também, e provavelmente devia estar me achando um idiota assim como eu mesmo estava. Era isso que dava tentar ser sempre simpático, ora ou outro uma bola fora acontecia.
Fui até o banheiro e ajeitei meu cabelo em frente ao espelho. Não estava nada bem, com um aspecto despenteado e desarrumado mas de uma forma nada boa. Minha tática de ajeitar o cabelo com as mãos após o banho não estava mais dando certo, teria que apelar para a escova ou algo assim. Pente não era comigo.
Sai de lá e caminhei até a sala. O sinal tocou e uns quinze alunos atrasados entraram comigo. Sentei-me e assisti a aula de redação. A professora era uma gorda de uns 40 anos. Explicava bem e era uma aula interessante, sem muitos rodeios ou graças nem totalmente séria.
Depois duas aulas de geografia, com uma professora magra que aparentava ter a mesma idade da outra, os cabelos loiros foscos e com aspecto de palha e um rosto magro. Era uma boa aula também, falava sobre crescimento populacional e desenhava gráficos no quadro. Eu me dava bem com geografia e as aulas do cursinho me pareciam bem melhores. O único problema era que com o grande número de alunos, aproximadamente uns setenta ou oitenta praticamente todos tinham vergonha de fazer as perguntas em voz alta, então a aula era constantemente interrompida por bilhetinhos entregues ao professor que os lia em voz alta e respondia a questão. Era o cúmulo da timidez, não custava nada levantar o braço e falar. Santa vergonha desse povo.
Durante a aula me senti constantemente mal. Tinha acordado com gripe ás duas da tarde e fungava com o nariz o tempo todo, com um “sniff, sniff” irritante e tossia com bastante freqüência. Me sentia cansado e com frio, fazia tempo que não pegava uma gripe.
As duas aulas passaram e o sinal do intervalo tocou. Liguei para minha mãe me buscar, peguei minha bolsa e fiquei sentado com o Igor nos bancos da cantina. Então o sinal tocou de novo e todos eles entraram na aula. Fui para a frente do colégio, me despedi de Seu Grinauro e tive medo de já ter confundido seu nome.
Fiquei lá esperando e então a professora de geografia que havia acabado de me dar aula entrou em seu Ford-ka vermelho com um senhor que aparentava ser bastante velho no banco do passageiro e que segurava um cachorro poodle nas mãos. Ela se despediu de mim com um aceno e retribui dizendo um – “Boa noite professora”. O senhor que eu nunca havia visto na vida acenou também. Saiu com o carro e ao andar um pouco de dentro perguntou se eu não queria uma carona pra algum lugar. Agradeci e disse que minha mãe já estava para chegar.
E uns dez minutos depois ela chegou. Pedi pra passarmos no supermercado porque queria comprar umas sopas instantâneas mas ela estava sem dinheiro. Então buscamos meu irmão na casa de um amigo, em um prédio que ficava perto de outro supermercado e ele me emprestou um dinheiro com o qual comprei duas sopas estantaneas, uma de Tomate e queijo e a outra de espinafre e queijo. No mesmo dia pela tarde eu havia visto uma propaganda daquela sopa e enquanto fazia já em casa percebi como as propagandas podem realmente fazer a diferença na hora que você fica com fome. Cada sopa dava pouco mais de meia xícara, uma quantidade equivalente a 250 mls.
Enquanto esperava a água ferver comi um pedaço de favo de mel que tinha na geladeira para ajudar na gripe. Depois tomei a primeira sopa de tomate e queijo com torradas e ela era realmente muito boa e saborosa. Depois fervi a água novamente e tomei a segunda sopa, de espinafre e queijo, que era um pouco mais cremosa e uou! Era melhor ainda.

sexta-feira, 22 de junho de 2007

23 de junho de 2007 - 00:25

Estou meio cansado para escrever aqui. Também não estou triste, não nesse momento.

A garota bonita do cursinho parou de frequentar as aulas logo na segunda semana e hoje eu fui ver a Camila do supletivo pela última vez. Garotas entram e saem da minha vida, pena que raramente elas fiquem, nem que seja por um pouquinho só.

Ryan Adams é maravilhoso. Estava falando há pouco com o Pedrão que se um dia encontrasse ele na rua ia dar um abraço e não dizer nada. Suas músicas significaram muito pra mim.
Também gostaria de dar um abraço em Joey e Dee Dee Ramone, Johnny Thunders, Jesse Malin e Stiv bators. Entre muitos outros, mas acho que até hoje esses conseguiram tocar meu coração mais fundo.

Obrigado por todos você terem feito o que fizeram e fazem. Um sincero abraço.

sexta-feira, 8 de junho de 2007

8 de junho de 2007 - 17:55

Esqueci de contar que cortei meu cabelo esses dias. Não diminui muito, e não ficou muito bom. Não acho que tenha sido culpa do cabeleireiro. Já faz um tempo que meu cabelo não fica bom.
Que se foda minha aparencia, não quero mais ver as pessoas por um tempo.

O Luy acabou de me mandar uma mesagem por celular dizendo: "Rock'and'Roll - Corre pelas minhas veias, sustenta meu coração!"

8 de Junho de 2007 – 17:25

Comecei a fazer cursinho de noite e passei o supletivo pra manhã. Não é muito agradável, alias não é nada agradável acordar de manhã e sim terrivelmente ruim, mas pelo menos de tarde da uma impressão de ter aproveitado mais o dia.
De qualquer forma o cursinho não é lá aquela coisa.
Também não é ruim, são umas 80 pessoas numa sala e os professores passando a matéria correndo e os alunos estudando correndo. Achei que não ia encontrar nenhum conhecido mas encontrei duas amigas e dois amigos.
O povo não é muito interessante, igual em qualquer outro lugar de Londrina, ou até mesmo do mundo. Mas tem uma garota que é uma graça. Tem os cabelos loiros bem curtos, um corpo incrível, é alta, tem estilo e um rosto parecido com a Brigite Bardot e a Twiggy Lawson. Uma graça de menina.
No primeiro dia de aula o professor perguntou se alguém já tinha morado em Curitiba e ela disse que era de lá e que tinha vindo pra Londrina pouco mais de três anos. Falou poucas palavras e o Igor apelidou ela de Curitibana, e assim nos dirigimos a ela. Queria saber seu nome. Deve ser algo como Deborah, Cecília ou até mesmo Laura. Bem charmoso e que combine com ela.
Todos os dias ela senta na mesma carteira e assiste a aula quieta, e no intervalo permanece dentro da sala e quando a aula acaba vai embora logo depois, num carro 4x4 luxuoso, provavelmente dos seus pais.
As aulas não tem nada de mais. Exceto a falta de cobrança que me irritava nos colégios. Você estuda se quiser. Um professor de biologia fez uma palestra com slides sobre células-tronco, clonagem e aborto. Foi uma das melhores palestras que eu já vi, e durou menos de uma hora e meia.
Decidi de uma vez por todas parar de sair em Londrina. Vai ser difícil agora que estou com atividades pra fazer, porque todo final de semana fico esgotado e quero beber. Mas vou resolver esse problema bebendo em casa, provavelmente sozinho ou no máximo com o Hermano, o Pedrão e o melhado. Talvez o Rafa também quando ele não estiver com a namorada.
O fato é que tomei essa decisão depois de sair na próxima quarta, véspera do feriado de corpus Christi. Saí do cursinho e liguei pro Hermano e pro Melhado. Eles estavam no carro com o Juca e o Maurão e passaram pra me pegar perto do cursinho. Então fomos deixar o irmão do Mauro e tomando uns vinhos baratos e quentes, e ruins também. Depois fomos pro chá das cinco e estava a mesma porcaria de sempre. Encontramos o Rafa e depois ele foi embora, a bebida acabou la e fomos pro rock ball de carona com umas amigas do Renato. O Hermano encanou de falar portunhol dentro do carro e ficava falando que – as chicas eram muy belas.
Só entravam maiores no rock ball. Pediram a identidade na frente, eu disse que tinha esquecido e mostrei a carteirinha do cursinho. Ele me deixou entrar e ficamos bebendo la.
Estava uma merda, praticamente as mesmas pessoas do chá das cinco. Quase nenhuma que valesse a pena. A garota linda da festa de moda estava la também, ficando com o mesmo cara. Ela que se foda. O mundo que se foda. Só eu me fodo.
Depois Melhado, Juca e o Maurão chegaram também. Bebemos por pouco tempo. Me bateu uma depressão profunda. O momento em que você percebe como os lugares são escrotos, e as pessoas mais escrotas ainda, e se sente um lixo por ter essa vida. Não gosto de reclamar de barriga cheia, mas as coisas podiam ser melhores com algum esforço.
Tive vontade de chorar mas os olhos estavam secos. Um choro de alma, sem lágrimas. Deprimente.
O Juca e o Maurão foram embora. Depois de um tempo o Melhado foi também. Eram três e meia da madrugada e os ônibus só começariam a passar as cinco e meia ou seis mas não estávamos mais agüentando ficar la. Hermano deu a idéia de irmos pra sua casa a pé, o que eu não concordaria se estivesse sóbrio, ou até bêbado e feliz. Mas estava bêbado e triste e queria dar o fora de qualquer jeito.
Andamos um pouco e paramos num lugar de lanche. Abrimos o cardápio e os mais baratos eram quatro reais. Não valia a pena, não estava com fome, não queria beber mais. Só queria ir pra casa e dormir, e esquecer de mais uma noite cretina.
Andamos como uns loucos. Muitos bairros, muitas avenidas, kilômetros de distancia. No caminho lembrei que tinha deixado minha bolsa no carro do Mauro. E também no caminho o Hermano se deu conta que perdeu os óculos escuros do seu avô, o que o deixou realmente puto e preocupado e a mim também. Mas eu nada podia fazer, só disse pra tentar esquecer. Não se pode sair de óculos escuros na noite,ainda mais bêbado.
Chegamos depois das cinco da manhã e o pai do Hermano tinha fechado a porta. Tivemos que tocar muito o sino que servia como campainha e telefonar para a casa até ele despertar e abrir. Se fosse meu pai teria ficado irritado, ele geralmente fica muito irritado quando o acordam. Mas o pai do Hermano não ficou. Estávamos famintos e tinha comida.
Arroz e carne com mandioca. Preparei meu prato e esquentei. Hermano caiu de sono no sofá. Comi e acordei ele para subirmos pro seu quarto. Demorei um pouco pra dormir, pensando em porque as noites tinham que ser sempre iguais, e quase nunca boas. Nunca realmente boas. Nós nunca estávamos realmente felizes, as vezes é só mais uma reclamação alheia. Tive a mesma vontade de chorar sem lágrimas. Fiquei olhando para o teto até dormir.

No outro dia acordei no horário do almoço. Dormimos pouco. Não estava com ressaca. Tomamos o café da manhã no horário do almoço, e no meio da tarde almoçamos. O Pai do Hermano fez churrasco e tomamos cerveja. Estavam as amigas da Sofia, irmã dele e o resto da família. A prima dele, Dodô também foi. Ficamos conversando sobre juventude, vida, sociedade e etc. Foi uma boa conversa.
Briguei com minha mãe no telefone. Ela estava doente e não podia vir me buscar. Não podia ir de ônibus porque tinha que passar pegar minha bolsa. Discutimos e falei besteiras. Me arrependi e liguei pedindo desculpas. Eu odeio esse meu temperamento impulsivo, ele pode magoar muitas pessoas das que eu mais gosto, e a mim mesmo também. Sou odioso, mas tento ser doce. Como um chocolate meio-amargo. Você pensa que é doce mas ele só amarga sua boca.
Meu pai me buscou de noite e passamos pegar minha bolsa. Em casa brigamos feio, por causa de meu irmão novamente. Tenho um relacionamento temperamental com meu pai, que pode ir do amor ao ódio em cinco minutos, e vice-versa. Mas geralmente as maiores confusões giram em torno da eterna implicância entre eu e meu irmão. E que sempre meu pai fica do lado dele, por ser mais novo. Pode parecer mentira se sou eu que estou falando, e também assumo que as vezes provoco a confusão, mas o desgraçado sabe como manipular meu pai e ele cai todas as vezes. É simples a tática que ele utiliza, me irrita e quando parto pra porrada, por mais fraco que seja o golpe, se meu pai estiver por perto ele instantaneamente abre o choro e provoca uma briga ainda maior entre mim e o meu pai, com direito a xingamentos feios e empurrões.
Dormi e fui pra aula de manhã. Quase todos os lugares da cidade emendaram o feriado e o fim de semana, mas meu supletivo e meu cursinho não. Agora é o fim da tarde, daqui a pouco vou tomar um banho e ir para o cursinho. Quem sabe eu não converse com a Brigite “Twiggy” Bardot curitibana. Muito difícil de acontecer, mas não custa sonhar.

domingo, 3 de junho de 2007

4 de junho de 2007 – 01:00

Saí para a aula do supletivo bem agasalhado pra não sofrer com o frio como tinha acontecido na última terça-feira. Coloquei duas meias pra esquentar os pés, meu moletom preto de gorro com estampa do CBGB e minha jaqueta jeans por cima. Levei apenas uma caneta porque como era uma sexta-feira ia sair depois da aula. Minha mãe chegou do trabalho e me levou, me poupando o trabalho de pegar o ônibus na hora do rush em plena sexta.
Não estava tão frio quanto eu pensava, alias não estava nem frio. Alguns alunos estavam sem agasalho e outros apenas com jaquetas por cima para evitar contra-tempos. Eu que havia passado um frio danado dias atrás e vim prevenido estava começando a sentir o efeito do calor. Horrível.
Depois de um tempo a sala estava lotada. A aula de física mal começou e a linda Camila me chamou e quando virei para trás ela apontou a porta. Olhei e lá estava o Rodolfo fazendo sinal pra mim ir lá fora. Levantei sutilmente e sai da sala.
- Vamos jogar sinuca ae meu, eu já fiz essa prova de manhã no nome de um amigo meu e ta bem fácil. Ele disse.
- Beleza, vamo sim. Só que eu não manjo nada de física. Deixa só eu ver se a Camila tem a cola.
Camila estava sentada na primeira carteira logo ao lado da porta. Falamos baixo: – Ooo Camila, você tem a cola? – Ahn, não? – “Tenho, tenho”. – Então valeu.
Enquanto estávamos na porta o diretor do supletivo, que era conhecido da família do Hermano passou.
- De que sala vocês são?
- Dessa.
- Então entra e vai assistir aula.
- Beleza, já vamos.
Esperamos ele sumir da vista e zarpamos pra fora do colégio. Andamos até o primeiro bar que ficava na mesma quadra e a mesa de sinuca estava ocupada por uns velhos bebedores.
Eles estavam terminando a partida. Esperamos pra ver se ia vagar. Colocaram outra ficha. Desistimos e saímos até outro bar. No caminho encontramos o Lucas, o careca meio-louco que estudava com a gente. – Vamo pro bar joga sinuca?
- “Beleza, vamo vamo.” É aula do que hoje? – Física.
Continuamos andando até umas cinco quadras pra frente. Reto, direita, esquerda, reto. Chegamos no bar e compramos duas fichas. Ninguém tinha dinheiro pra beber, na verdade eu tinha mas ia sair depois da aula, então ficamos só na sinuca.
O Lucas estava sem grana, quem pagou foi eu e o Rodolfo. Custava 1 real cada ficha e cada um pagou uma, então jogamos a primeira partida.
Ele começou ganhando depois virei, levei pro bolão e ganhei. Agora era eu contra o Lucas. Comecei perdendo, recuperei, perdendo de novo, e ganhei. O Rei da mesa.
Compramos mais duas fichas e jogamos eu e o Rodolfo de novo. Até ali nas duas que tinha ganhado tinha jogado com as pares. Dessa vez ele matou uma par e eu virei ímpar. Sinal de azar, e deu azar. Comecei perdendo de lavada e quando ficaram só as minhas bolas na mesa ele ficou “snookado” várias vezes. Recuperei e fiquei algumas atrás, mas ele matou o bolão e me tirou da mesa. Malditas bolas ímpares.
Então jogaram ele e o Lucas, que não tinha vencido nenhuma com a última ficha. Era o que o tempo permitia porque logo já ia ser nosso intervalo e tínhamos que voltar. Lucas ganhou a primeira do Rodolfo e voltamos pro colégio.
Na entrada o diretor, que chamava Juca nos viu e fez uma cara feia de reprovação. Fingimos que não era conosco e passamos reto. O intervalo passou e entramos na sala. Mais um pouco de aula, o professor nem reparou que tínhamos saído, e se reparou não falou nada. Mais um pouco de aula, um pouco de balela, ensinou as coisas finais e aplicou a prova. Li as questões e comparei com a cola na mão. Todas erradas. Tinha que fazer por mim mesmo e sem saber quase nada, e fiz. Entreguei a prova e pedi pra ele corrigir na hora. Acertei sete questões de dez, tinha que acertar no mínimo seis. Ótimo, missão cumprida.
Fui pra frente do colégio e liguei pro Hermano. Ele e o Pedrão estavam no chá das cinco, não estava afim de ir lá. Disse pra eles virem até o bar da keiko, que tinha cerveja barata e ficava em diagonal e bem perto do meu supletivo. Ele me ligou de volta e combinamos de nos encontrar no meio do caminho. Estava chovendo, tinha que esperar pra sair a pé.
Fiquei conversando com um colega que estava de moto e também tinha que esperar. O diretor de dentro do colégio ficou apontando um abridor de garrafas que servia como seu chaveiro e balançando em minha direção.
- Você não é japonês mas abre o olho viu. Falou olhando pra mim ainda balançando o maldito abridor e com cara séria.
- Beleza.
- Você tava indo bem e agora começou a sair da linha.
- Beleza.
Não era um cara cuzão, mas também não era gente boa. Essas tentativas de disciplina em um supletivo eram no mínimo engraçadas. Um lugar onde só estudavam a nata dos estudantes. Ou senhores e senhoras de meia-idade que pararam de estudar na juventude, ou jovens de vinte e poucos anos que haviam repetido diversas vezes. Eu era um deles, mas com a vantagem de ter só dezessete.
A chuva parou, me despedi do cara da moto e sai andando a pé pelas ruas do centro de Londrina. Cheguei na avenida Higienópolis e desci em direção ao pátio San Miguel onde ia me encontrar com eles. Uma padaria vinte e quatro horas que ficava na avenida mais movimentada da cidade e funcionava como um ponto de encontro para jovens baladeiros, universitários e afins. Um péssimo público diga-se de passagem.
Quando estava quase chegando lá encontrei o irmão de um amigo que não via faz tempo e ele estava estacionando seu carro e me chamou. Era um cara gente boa mas eu não lembrava seu nome, o que era péssimo pois tinha que falar com ele chamando-o de “cara” e “brother. Conversamos um pouco enquanto ele manobrava o carro e no exato momento ele tentava prestar atenção em mim e estacionar ao mesmo tempo raspou no para-choque de um dos carros estacionados. Um grupo de meninas se aproximava e uma delas disse – Pegamos no flagra em. É, pegaram mesmo. Mas não tinha acontecido nada no carro delas. No carro do meu conhecido uns arranhões. Seguimos andando até o pátio juntos, nos despedimos e ele foi para o bar que ficava em frente,onde também se reuniam um monte de jovens burgueses.
Cheguei no Pátio e nada deles. Liguei e disse que já estavam chegando. Passaram uns dez minutos e nada. Liguei de novo.
- “Estamos vendo você”. Ok, agora só mais três minutos ou menos se eles já estão me vendo. Nada.
Encontrei uma conhecida que estava voltando da faculdade. Ficamos conversando. Era gordinha e baixinha, nada atraente e nada bonita, também não chegava a ser horrível. Mas até que era gente boa. Disse que estava esperando o Hermano e ela me apontou ele do outro lado da calçada.
Ficamos conversando um pouco, ela foi embora e se despediu de nós. Pedrão estava desanimado porque tinha que trabalhar no dia seguinte e seu ônibus passava ali perto. Hermano ainda ficou tentando convence-lo a ficar mas ele estava decidido a ir embora. Acompanhamos ele até o ponto e no caminho encontramos o Padilha, que era amigo do Juca e um cara legal. Ele disse que ia ter uma festa de república e Hermano se convidou para irmos. Achei que fosse folga do Hermano mas o Padilha disse que não tinha problemas. O ônibus do Pedro chegou, e numa ultima tentativa o Hermano tentou fazer ele ficar mas não teve sucesso.
Descemos ao pátio de novo com o Padilha e logo depois o Maurão, também amigo do Juca chegou. E logo outros amigos deles, um cara vestido a caráter para a festa que chamava glamour decadente e tinha a idéia de as pessoas irem vestidas com roupas espalhafatosas (o que não obteve muito sucesso pois menos de ¼ das pessoas estava vestida assim) e duas garotas, uma delas patty com uns peitos incríveis.
Decidimos ir até a tal festa e ver como estava na frente. Maurão não tinha pego dinheiro, fomos até um posto onde passando o cartão o atendente dava o dinheiro cobrando 10% do valor retirado.
No posto um monte de carros e pessoas ouvindo música e bebendo. Era uma moda das cidades escrotas como Londrina, ficar bebendo em postos de gasolina e ouvindo suas péssimas músicas disputando quem tinha o som mais potente. Um desses grupos jogou uma lata de cerveja em direção a rua e ela pegou no capô do carro do Padilha onde estávamos (Maurão estava sozinho no seu próprio). O idiota que tinha jogado disse que não havia acontecido nada, Padilha olhou com uma cara feia pra ele e seguiu. Quando paramos e olhamos não havia acontecido nada.
Mauro sacou seu dinheiro e seguimos até a tal república. Na rua em frente alguns carros parados, não parecia que havia muita gente. Chegamos na porta e encontramos o Renato com os Punhetas e o André. Ele nos disse pra entrar e dizemos estar receosos por só ter 13 reais cada e a entrada custar 15, com as bebidas liberadas. Guilherme disse pra mim falar com o Gazzoni que estava na portaria e ver se não tinha como entrar por dez. Falei com ele e ele disse que não podia pois só estava cuidando. A garota dos peitos bonitos me emprestou dois reais e entramos todos.
A festa estava lotada e tocava música ruim. Uma parte estava coberta com lona por causa da chuva.
Tomamos champagne barato e embalamos na cerveja. Passei a festa quase inteira em frente ao freezer onde estavam servindo as cervejas, com exceção de quando ia mijar e duas ou três vezes quando fui ver o Renato dormindo do lado de fora e o Hermano no lado de dentro, dormindo com um cigarro apagado na boca.
Durante a festa nada de bom exceto a cerveja. Bêbados passando, vários amigos. Eu só tentava manter meu copo cheio e aproveitar o que tinha pago, o que não foi difícil porque tinha muita, muita cerveja. De marcas vagabundas mas não fazia diferença.
Logo eu vi a Carol, uma menina linda que eu achava o máximo. E vi também a Fer, conhecida minha brincando com ela e dizendo que eu estava la, o que ela não devia dar a mínima. Ela estava usando uma saia esquisita preta e uma blusa branca que deixava ela mais bonita. Apesar da saia ser feia ela continuava maravilhosava e provavelmente ficaria com qualquer roupa. Cabelos curtinhos ao estilo chanel, rosto angelical e um corpo muito bem ajeitado.
Logo Renato e Hermano desmaiaram dormindo e fiquei meio sozinho. Juntava nas rodas de amigos e bebia cerveja. Basicamente isso, não me sentia bem mas resolvi falar com a Carol do mesmo jeito. Tinha que tomar corajem antes. Ela passou e quase fui. Desisti. Um frio na barriga, peguei mais um copo de cerveja e cruzei ela sozinho. Era agora ou nunca.
A parte que me lembro da conversa foi mais ou menos o seguinte:
- Oi Carol
- Oi, você chama Gabriel né?
- Como você sabe?
- A Fer já me falou.
- É que ninguém me chama de Gabriel, e só de Biel. Por isso estranhei.
- Ah eu deduzi que era seu nome.
- Posso te falar uma coisa?
- Pode, claro.
- Você é uma das meninas mais lindas que eu já vi.
- Ah, obrigada. Ela disse e deu um sorriso lindo.
- Sem brincadeira, você é linda demais.
Falei isso e peguei na mão dela. Era macia e estava quente, apesar do frio.
- Então eu vou pra lá,a gente se vê. Ela disse
- Ok, beijo.
A sensação de fracasso me atingiu em cheio. Me senti como um grande idiota, e um peso de culpa caiu sobre mim. Fui até o Hermano que estava dormindo com meu moletom de gorro, pois tinha esfriado bastante. Fiquei lá sentindo a sensação de derrotado ao lado dele. As pessoas se divertiam. Algumas dançavam, outras bebiam. Era uma merda não se divertir.
Começou a chover a maioria se abrigou embaixo da lona e alguns no lugar onde estávamos, que era embaixo do telhado da casa. Entre esses alguns a linda Carol e suas amigas, e os gêmeos e o André. Fui pegar mais cerveja no freezer que ficava logo ao lado. Olhei pro lado embaixo da proteção e vi a Carol beijando o André. Ela não era mesmo pra mim. Jamais seria. Jamais qualquer garota linda seria pra mim, eu só tinha que parar de sonhar e me acostumar com isso.
Acordei Hermano e saímos para frente. Renato ressurgiu do nada. Muitas pessoas estavam indo embora. Dois gays que já conheciam o Hermano nos chamaram e disseram para irmos ao Potiguá com eles. Não tínhamos mesmo como ir embora, Padilha e Maurão tinham sumido. Entramos no táxi com eles, eu Hermano e Renato e seguimos para o Potiguá.
Não tínhamos mais um real sequer e o gay mais gente boa que chamava Gustavo pagou tudo. Descemos e ficamos tomando cerveja e jogando pebolim. Eu estava bêbado e só conseguia girar o pebolim sem parar. Gustavo disse pra jogar direito e falou: - Ficar girando é coisa de mulher, para com isso. Então tentei jogar ao certo e o outro veado era a minha dupla, chamava Bruno e era mais esnobe. Ficava bravo a cada lance perdido por mim. Perdi com todas as duplas que disputei. Gustavo falou de brincadeira para passar debaixo da mesa pra pagar a derrota. Só eu passei. Me arrastando, completamente bêbado e provocando risadas.
Renato tinha desmaiado numa das cadeiras do Potiguá. Gustavo disse pra irmos a casa dele. Abandonamos o Renato lá. Hermano ficou receoso por isso, não achava uma atitude correta. Eu também não achava, mas ele já havia dado mancadas bem piores, estávamos bêbados e o Gustavo estava pagando tudo. Claro que ele tinha segundas intenções com a gente, dava pra perceber. Mas minha idéia de bêbado era simples: Beber na casa dele e a um primeiro assédio sair.
E foi o que fizemos. Ele fritou hamburguêrs e comemos. O outro gayzinho, Bruno desmaiou em um colchão que estava na sala. Era um apartamento num prédio de flats do centro da cidade, pequeno mas luxuoso e bem arrumado. Tomamos vinho, conservado chileno. Depois de um tempo tomando vinho ele disse que queria beijar o Hermano e ele resistiu. Depois disse pra mim e fiz o mesmo. Dissemos que ele era um cara gente boa mas que não gostávamos de homem. Ele entendou mas pareceu um pouco magoado. Continuamos bebendo vinho e vendo o dia nascer. Logo depois ele pareceu irritado com um pouco de brincadeira e fomos embora. Não lembro como chegamos a casa de seu avô. Hermano disse que fomos andando mas essa e outras cena da noite eu apaguei da minha memória. Acordei no outro dia, sai do quarto e encontrei com ele.
- Que horas são? Perguntei.
- Cinco e meia.
- Ta brincando né?
- Não, é sério. Olha no relógio ali.
Olhei para o relógio de ponteiros na parede e eram mesmo cinco e meia da tarde.