sexta-feira, 8 de junho de 2007

8 de Junho de 2007 – 17:25

Comecei a fazer cursinho de noite e passei o supletivo pra manhã. Não é muito agradável, alias não é nada agradável acordar de manhã e sim terrivelmente ruim, mas pelo menos de tarde da uma impressão de ter aproveitado mais o dia.
De qualquer forma o cursinho não é lá aquela coisa.
Também não é ruim, são umas 80 pessoas numa sala e os professores passando a matéria correndo e os alunos estudando correndo. Achei que não ia encontrar nenhum conhecido mas encontrei duas amigas e dois amigos.
O povo não é muito interessante, igual em qualquer outro lugar de Londrina, ou até mesmo do mundo. Mas tem uma garota que é uma graça. Tem os cabelos loiros bem curtos, um corpo incrível, é alta, tem estilo e um rosto parecido com a Brigite Bardot e a Twiggy Lawson. Uma graça de menina.
No primeiro dia de aula o professor perguntou se alguém já tinha morado em Curitiba e ela disse que era de lá e que tinha vindo pra Londrina pouco mais de três anos. Falou poucas palavras e o Igor apelidou ela de Curitibana, e assim nos dirigimos a ela. Queria saber seu nome. Deve ser algo como Deborah, Cecília ou até mesmo Laura. Bem charmoso e que combine com ela.
Todos os dias ela senta na mesma carteira e assiste a aula quieta, e no intervalo permanece dentro da sala e quando a aula acaba vai embora logo depois, num carro 4x4 luxuoso, provavelmente dos seus pais.
As aulas não tem nada de mais. Exceto a falta de cobrança que me irritava nos colégios. Você estuda se quiser. Um professor de biologia fez uma palestra com slides sobre células-tronco, clonagem e aborto. Foi uma das melhores palestras que eu já vi, e durou menos de uma hora e meia.
Decidi de uma vez por todas parar de sair em Londrina. Vai ser difícil agora que estou com atividades pra fazer, porque todo final de semana fico esgotado e quero beber. Mas vou resolver esse problema bebendo em casa, provavelmente sozinho ou no máximo com o Hermano, o Pedrão e o melhado. Talvez o Rafa também quando ele não estiver com a namorada.
O fato é que tomei essa decisão depois de sair na próxima quarta, véspera do feriado de corpus Christi. Saí do cursinho e liguei pro Hermano e pro Melhado. Eles estavam no carro com o Juca e o Maurão e passaram pra me pegar perto do cursinho. Então fomos deixar o irmão do Mauro e tomando uns vinhos baratos e quentes, e ruins também. Depois fomos pro chá das cinco e estava a mesma porcaria de sempre. Encontramos o Rafa e depois ele foi embora, a bebida acabou la e fomos pro rock ball de carona com umas amigas do Renato. O Hermano encanou de falar portunhol dentro do carro e ficava falando que – as chicas eram muy belas.
Só entravam maiores no rock ball. Pediram a identidade na frente, eu disse que tinha esquecido e mostrei a carteirinha do cursinho. Ele me deixou entrar e ficamos bebendo la.
Estava uma merda, praticamente as mesmas pessoas do chá das cinco. Quase nenhuma que valesse a pena. A garota linda da festa de moda estava la também, ficando com o mesmo cara. Ela que se foda. O mundo que se foda. Só eu me fodo.
Depois Melhado, Juca e o Maurão chegaram também. Bebemos por pouco tempo. Me bateu uma depressão profunda. O momento em que você percebe como os lugares são escrotos, e as pessoas mais escrotas ainda, e se sente um lixo por ter essa vida. Não gosto de reclamar de barriga cheia, mas as coisas podiam ser melhores com algum esforço.
Tive vontade de chorar mas os olhos estavam secos. Um choro de alma, sem lágrimas. Deprimente.
O Juca e o Maurão foram embora. Depois de um tempo o Melhado foi também. Eram três e meia da madrugada e os ônibus só começariam a passar as cinco e meia ou seis mas não estávamos mais agüentando ficar la. Hermano deu a idéia de irmos pra sua casa a pé, o que eu não concordaria se estivesse sóbrio, ou até bêbado e feliz. Mas estava bêbado e triste e queria dar o fora de qualquer jeito.
Andamos um pouco e paramos num lugar de lanche. Abrimos o cardápio e os mais baratos eram quatro reais. Não valia a pena, não estava com fome, não queria beber mais. Só queria ir pra casa e dormir, e esquecer de mais uma noite cretina.
Andamos como uns loucos. Muitos bairros, muitas avenidas, kilômetros de distancia. No caminho lembrei que tinha deixado minha bolsa no carro do Mauro. E também no caminho o Hermano se deu conta que perdeu os óculos escuros do seu avô, o que o deixou realmente puto e preocupado e a mim também. Mas eu nada podia fazer, só disse pra tentar esquecer. Não se pode sair de óculos escuros na noite,ainda mais bêbado.
Chegamos depois das cinco da manhã e o pai do Hermano tinha fechado a porta. Tivemos que tocar muito o sino que servia como campainha e telefonar para a casa até ele despertar e abrir. Se fosse meu pai teria ficado irritado, ele geralmente fica muito irritado quando o acordam. Mas o pai do Hermano não ficou. Estávamos famintos e tinha comida.
Arroz e carne com mandioca. Preparei meu prato e esquentei. Hermano caiu de sono no sofá. Comi e acordei ele para subirmos pro seu quarto. Demorei um pouco pra dormir, pensando em porque as noites tinham que ser sempre iguais, e quase nunca boas. Nunca realmente boas. Nós nunca estávamos realmente felizes, as vezes é só mais uma reclamação alheia. Tive a mesma vontade de chorar sem lágrimas. Fiquei olhando para o teto até dormir.

No outro dia acordei no horário do almoço. Dormimos pouco. Não estava com ressaca. Tomamos o café da manhã no horário do almoço, e no meio da tarde almoçamos. O Pai do Hermano fez churrasco e tomamos cerveja. Estavam as amigas da Sofia, irmã dele e o resto da família. A prima dele, Dodô também foi. Ficamos conversando sobre juventude, vida, sociedade e etc. Foi uma boa conversa.
Briguei com minha mãe no telefone. Ela estava doente e não podia vir me buscar. Não podia ir de ônibus porque tinha que passar pegar minha bolsa. Discutimos e falei besteiras. Me arrependi e liguei pedindo desculpas. Eu odeio esse meu temperamento impulsivo, ele pode magoar muitas pessoas das que eu mais gosto, e a mim mesmo também. Sou odioso, mas tento ser doce. Como um chocolate meio-amargo. Você pensa que é doce mas ele só amarga sua boca.
Meu pai me buscou de noite e passamos pegar minha bolsa. Em casa brigamos feio, por causa de meu irmão novamente. Tenho um relacionamento temperamental com meu pai, que pode ir do amor ao ódio em cinco minutos, e vice-versa. Mas geralmente as maiores confusões giram em torno da eterna implicância entre eu e meu irmão. E que sempre meu pai fica do lado dele, por ser mais novo. Pode parecer mentira se sou eu que estou falando, e também assumo que as vezes provoco a confusão, mas o desgraçado sabe como manipular meu pai e ele cai todas as vezes. É simples a tática que ele utiliza, me irrita e quando parto pra porrada, por mais fraco que seja o golpe, se meu pai estiver por perto ele instantaneamente abre o choro e provoca uma briga ainda maior entre mim e o meu pai, com direito a xingamentos feios e empurrões.
Dormi e fui pra aula de manhã. Quase todos os lugares da cidade emendaram o feriado e o fim de semana, mas meu supletivo e meu cursinho não. Agora é o fim da tarde, daqui a pouco vou tomar um banho e ir para o cursinho. Quem sabe eu não converse com a Brigite “Twiggy” Bardot curitibana. Muito difícil de acontecer, mas não custa sonhar.

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